São Paulo, 04 (AE) - A Avenida Paulista foi tomada hoje por uma passeata diferente: cerca de 6 mil funcionários de empresas de bingo (segundo estimativa da Polícia Militar) vestindo coletes brilhantes, gravatas borboleta e avental ocuparam a rua para protestar contra a ameaça de fechamento dessas casas. Apesar das denúncias de irregularidades (principalmente sonegação), o mote da passeata foi o desemprego. Dezenas de pessoas carregavam faixas, onde estava escrito: "Puniram a corrupção com o nosso emprego" e "Respeitem nosso emprego".
De acordo com a Associação Paulista das Casas de Bingo, o setor gera 40 mil empregos no Estado e 100 mil em todo o País. Os manifestantes saíram às 14 horas, da Praça Oswaldo Cruz, andaram até o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Retornaram pela Avenida Paulista e desceram a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, até a Assembléia Legislativa. Participaram da passeata funcionários de bingos da cidade de São Paulo, da região metropolitana e de outros município, como São José dos Campos (onde alguns bingos foram fechados), Campinas, Piracicaba e Limeira. "Muita gente pode ser despedida, estamos com medo", diz a vendedora Solange Gonçalves, de 21 anos, do Arco Bingo, de Guarulhos.
Coordenados pela Polícia Militar, 200 manifestantes ocuparam a galeria do plenário, enquanto uma comissão, formada por oito donos de bingo, entregou ao presidente da Assembléia, Vanderlei Macris (PSDB), no gabinete, um documento, pedindo apoio contra a ameaça de fechamento dos bingos. "Quem tem de perder o emprego é o Greca (ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca)", berrou o deputado Edson Ferrarini (PL) do microfone dos manifestantes.
No gabinete, Macris garantiu aos empresários que fará um "exame detalhado" da situação dos bingos no Estado, para enviar ao governador Mário Covas. Os donos de bingo querem que o goveno do Estado fiscalize o setor. Hoje, isso é feito exclusivamente pelo governo federal, por meio do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp). Sonegação - Relatório do Indesp, relativo a 1997 e 1998, mostra que os bingos paulistas são os "campeões de sonegação" do Imposto de Renda. Os 93 bingos cadastrados no Estado de São Paulo recolhem menos para a Receita Federal do que os 14 bingos do Piauí. "O governo federal tem de ter condições de fiscalizar os bingos, mas não é justo falar em fechar nossas casas", diz Carlos Mattos, dono de um bingo.
Alexandre Pagnani, que além de ser dono de bingo, é o presidente da Confederação Brasileira de Musculação, diz ter enviado ao Indesp, há quatro meses, um documento, denunciando bingos que funcionam de forma irregular. "Até hoje, essas casas estão funcionando, o governo não tem condições de fiscalizar", acusa. Greca vem defendendo o fechamento dos bingos, até que o governo encontre mecanismos para fiscalizá-los. Por enquanto, proibiu as máquinas programadas eletrônicas (MEPs). Também foi definido que a Polícia Federal fechará os bingos que não prestaram conta ao Indesp. Em São Paulo, por exemplo, apesar de 93 bingos terem autorização de funcionamento, apenas 16 prestaram contas.

mockup