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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
por Renato Lombardi 
São Paulo, 4 (AE) - O depoimento de Mateus da Costa Meira à polícia, no flagrante encaminhado ao Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), tem 93 linhas.
O psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta e o advogado Francisco Edson Soares testemunharam as declarações feitas por quase quatro horas à delegada Silvia Raposo, do 96.º Distrito Policial. Motivo - Sobre os motivos que o levaram a atirar nas pessoas, Meira declarou "ter tendências agressivas e depressivas e já ter sido internado uma semana na Clínica Parque Julieta. Isso foi há quase um mês. Quer crer que talvez tenha sido o efeito da medicação que parou de tomar, pois sabe que se tratava de um antipsicótico. Diz que há sete anos já teve a idéia de matar alguém". Submetralhadora - Meira declarou que "uma pessoa de nome Marcos
mecânico na Avenida Cupecê, pelos seus contatos, conseguiu arrumar-lhe uma arma de fogo. Sabe que se trata de uma metralhadora. Nesta data (quarta-feira), aproximadamente às 14 ou 16 horas, pegou tal arma e a munição, arrumada também por Marcos, o suficiente para encher um pente pagando R$ 5.000,00, em notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, além de uma pistola quebrada, que havia conseguido com a mesma pessoa". Shopping - O estudante de medicina declarou ter deixado seu apartamento da Rua Dona Veridiana e hospedado-se no hotel da Avenida São João, ao lado do prédio do Mappin. Acreditava que em seu apartamento estava sendo observado por pessoas. "De táxi, foi para o shopping Morumbi, levando a arma em uma bolsa, ainda não municiada." Escolha - A delegada perguntou ao estudante por que escolheu o MorumbiShopping. Mateus informou que "por ser distante da sua casa, achou que não o observariam. Naquele local, ainda se sentindo observado, ouviu uma voz dizendo - deve ser doente -, fazendo com que sua mente entrasse em conflito com a realidade". Tiros - Meira afirmou ter entrado na sala de cinema e começado "a assistir a um filme que contava a história de uma pessoa esquizofrênica e, no meio da sessão, levantou-se e foi até o banheiro, onde pôs (na arma) o pente que já estava municiado (com balas) e fez um disparo no espelho, propositadamente. Saiu do banheiro e não sabia o que fazer ou em que direção atirar, na platéia, na tela ou para o alto. Começou a efetuar vários disparos, mas não se recorda em que direção. Atacado - Disse Meira que usou um pente só e não sabe se atingiu alguma pessoa. "Por causa da escuridão nada viu naquele momento e quando parou de efetuar os disparos foi atacado por pessoas, caindo no chão, sendo segurado. Não se recorda o que aconteceu com a arma. Perguntado qual era a sua intenção após o crime, o interrogado disse que não sabia o que aconteceria. Diz que não é usuário de drogas, mas já usou cocaína algumas vezes, isso teve início há dois meses, e em grande quantidade". Palio - Sobre o Palio apreendido em poder do vendedor de armas e traficante Marcos Paulo Almeida dos Santos, Meira declarou que o carro fora cedido a ele pela concessionária enquanto fazia reparos em seu Chrysler acidentado. "O Palio estava com Marcos porque Mateus não sabe dirigir veículo mecânico." Sozinho - O estudante de medicina declarou que mora sozinho há seis anos. "Informa que está arrependido do ato cometido. Quer deixar claro que, desde quando passou a usar drogas, acha que está dentro de um cenário de filme e sendo observado." Pirataria - Meira informou ainda que já esteve envolvido em ocorrência de pirataria de CDs, em Vila Joaniza. "Ocorreu há dois anos. Conseguiu o dinheiro para a compra da arma com a pirataria e pagou ainda R$ 30,00 para ir até o shopping. Seu sustento vem de sua família, de seu pai que lhe manda R$ 800,00 por mês e paga o apartamento, a faculdade." Amizades - Meira declarou não ter inimizades na faculdade "mas se sente-se observado por moradores do prédio onde reside". Remédios - Meira disse ter "parado de tomar a medicação receitada por seu médico por impulso". Não sabe se Marcos possui oficina. Marcava encontros com ele pelo celular. Quanto à munição encontrada em seu apartamento, "disse que a comprou de Marcos há dois dias. Era para uma pistola comprada há dois meses".


