São Paulo, 4 (AE) - O estudante de medicina Mateus da Costa Meira vinha tendo problemas de conduta e de personalidade desde a adolescência. Eles tornaram-se mais intensos a partir de setembro. A polícia suspeita que, na noite de ontem, quando matou três pessoas e feriu outras cinco, ele poderia estar sob efeito de crack e cocaína. Meira era viciado. Em seu apartamento, os policiais apreenderam cocaína e pedras de crack.
Meira gostava de filmes violentos, tinha alterações de comportamento e estava em tratamento psiquiátrico. Em outubro ficou internado nove dias na Clínica Parque Julieta, zona sul, destinada a usuários de drogas e pacientes psiquiátricos. O psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta, que começara a tratar de Meira, deveria tê-lo atendido ontem no consultório. Ele acompanhou o depoimento do estudante à polícia.
Pitta não acredita que Meira tenha planejado o ataque no cinema. Para o médico, na quarta-feira seu paciente teve um impulso, entrou em surto e acabou matando.
O primeiro encontro do estudante com o psiquiatra ocorreu no início de outubro. Os pais concordaram com o tratamento e Meira foi internado dia 11.
Pitta viajou. Voltou no dia 17 e, dez dias depois, teve novo contato com o paciente. Marcou a segunda consulta para ontem, quando pretendia se aprofundar no caso. "Eu não tive tempo de conversar demoradamente com o paciente porque viajei e no, dia em ele iria ao consultório, sou chamado para atendê-lo na prisão pela prática de um crime brutal", disse. "Não queria que ele chegasse a esse extremo." Mesmo assim, segundo o quadro apresentado pelos pais ao psiquiatra, Meira sempre foi problemático e seu relacionamento com a família era complicado. Indagado sobre a alta do estudante, no dia 20, Pitta afirmou que o rapaz foi liberado da clínica por uma colega, já que ele estava viajando. O psiquiatra não acredita que a decisão tenha sido precipitada. "Ele estava em condições de retornar às atividades normais", disse, revelando que Meira voltou à faculdade e saíra-se muito bem numa prova. O médico não quis confirmar se as drogas são o maior problema de Meira. Mas disse que o uso de cocaína pode induzir "a atitude impulsiva, com distorção da realidade."
Para Pitta, a avaliação de Meira é a de uma pessoa "não perigosa"e nunca houve suspeita de "imperícia" na sua atividade acadêmica, de médico residente da Santa Casa.
Quanto ao depoimento, Pitta disse que Meira contou o ocorrido com certa coerência, mas não revelou motivos. "Se perguntarem se tinha noção, ele vai lembrar da maior parte."
Pais - O oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira e sua mulher, a enfermeira Alina da Costa Meira, notaram que havia algo diferente com o filho Mateus nas férias do meio do ano.
O rapaz estava agitado, distante e agressivo, o que nunca ocorrera. Desconfiaram que o filho estaria usando drogas. Meira, que cursa o 6.º ano da Faculdade de Medicina da Santa Casa, sempre fora bom aluno.
Os pais souberam pelo Serviço de Alunos da Santa Casa que Meira estava precisando de tratamento. A própria entidade encarregou-se de fazer o contato com Pitta.

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