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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 04 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, disse hoje que o assassinato de espectadores que assistiam ao filme "Clube da Luta", no MorumbiShopping, mostra que, ao contrário da idéia que prevalece no País, violência não é a ausência ou a presença da polícia. Segundo ele, esse é um erro dramático que deve ser corrigido. "Será que nós não podemos pensar um pouquinho que existem outras razões", questionou. "Nós vulgarizamos a violência de uma forma brutal".
Covas lembrou que, no caso do shopping, antes de agir, o rapaz tomou droga comprada de traficantes. "É dramático saber que um rapaz de classe média, sextanista de medicina, pronto para se tornar um médico para salvar vidas, se envolva numa coisa desse tipo", lamentou. "Isso é um traço da violência que a gente em geral debita para a polícia". O governador observou que a droga entra no País de contrabando. "E quem toma conta desse contrabando e do contrabando de armas que não podiam estar no País é a Polícia Federal", disse.
ViolênciaMiséria - Para o governador, em uma cidade que tem "um acúmulo de pessoas, como São Paulo", a miséria também contribui para a violência, mas não é seu pior "veneno". "O pior veneno é a miséria convivendo com a riqueza", constatou. "Se eu estiver numa cidade onde a média de renda das pessoas for muito baixa, os índices de violência é da base de Genebra ou de qualquer outro lugar do mundo. Se eu estiver numa cidade onde exista uma diferença social muito grande, entre ricos e pobres, você tem uma violência exacerbada".
Ele também atribuiu à televisão parte dessa reação, questionando: "Vocês já viram filme de televisão que não tenha gente matando gente?". Segundo Covas, "é preconceito" comparar a agilidade no esclarecimento desse episódio com a apuração de chacinas verificadas no Estado, uma vez que os fatos "se desvendaram" com a detenção de Mateus da Costa Meira, sem que a polícia tenha feito nenhum trabalho adicional por se tratar de uma zona rica.


