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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 04 (AE) - A TV Manchete não pertence mais ao Grupo Bloch, mas os antigos donos ainda estão sendo cobrados por dívidas da emissora porque os novos proprietários não estão arcando com elas. Foi essa a explicação dada, hoje, pelo advogado Fernando Bumacher para justificar a iniciativa de Pedro Jack Kapeller, o antigo dono da emissora, de entrar na Hustiça contra a TV Ímega e Hesed Participações. "Kapeller não quer anular o contrato para ter a emissora de volta", explicou Bumacher. "Apenas quer que seja honrado o contrato".
O advogado lembrou que o grupo está há dois meses em concordata preventiva e um dos motivos disso seria porque os credores da emissora continuam a bater na porta de Kapeller. A juíza da 14ª Vara Cível Rosana Navega Chagas deu ganho de causa a Kapeller ao estabelecer a TV Ímega como sendo a sucessora da TV Manchete. Com isso, os novos donos - Amilcare Dallevo Jr. e Marcelo de Carvalho Fragali - têm até o dia 15 de novembro para pôr as contas em dia sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
Para tomar essa decisão, a juiza entendeu que a compra da emissora foi feita de "forma fraudulenta", como escreveu na sua sentença, tendo o dono da Hesed Participações, Fábio Saboya agido como "laranja" ao assumir a "banda podre" da Manchete. Isso porque a TV Ímega ficou com a concessão da TV e a obrigação de pôr em dia o pagamento do salário dos funcionários, INSS e FGTS (cerca de R$ 90 milhões). A Hesed comprou a TV Manchete propriamente dita, ou seja, assumiu todas as dívidas com bancos, credores diversos e pagamento de Imposto de Renda (cerca de R$ 250 milhões) e ficou com equipamentos da emissora.
Para o assessor de relações com a imprensa da TV Ímega, João Luis Faria Neto, Kapeller pretende "confundir" o Judiciário para "esconder seus negócios pouco claros". Já Saboya informou que não recebeu, até agora, o balancete da TV Manchete para acertar a contabilidade da empresa. "A TV e o Grupo Bloch têm um caixa único", disse, por telefone. Empresário do setor financeiro, que reestrutura passivos e ativos de empresas, Saboya informou que está negociando com o governo o pagamento do FGTS e que já quitou sua dívida junto ao INSS. "Qualquer padaria precisa de, pelo menos dois anos para se estabilizar", afirmou Saboya. "TV é um negócio um pouco mais complicado".
Tanto ele quanto a TV Ímega informaram que não foram oficialmente notificados da decisão da juíza e que recorrerão da sentença quando isso vier a acontecer. Entre recusos possíveis, esse processo pode levar até um ano para ser concluído, segundo Bumachar.


