PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 04 (AE) - Os 63 presos recolhidos nas seis celas do 96º DP, no Brooklin, ficaram revoltados com a presença do estudante de medicina Mateus da Costa Meira no distrito e ameaçavam matá-lo.
"Pelo código de ética dos presos, eles não concordam em ficar com pessoas que cometeram esse tipo de crime", disse o delegado Olavo Reino Francisco, que preside o inquérito.
"Eles acreditam que suas mães, esposas, irmãs ou namoradas poderiam ter sido vítimas desse assassino."
O delegado lembrou o caso do motoboy Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, que ficou detido também no 96º DP. "Os presos na ocasião chegaram a serrar a grade de uma das celas, cobrindo-a com papelão; se não tivéssemos descoberto a tempo, eles teriam matado o motoboy."
Olavo Francisco e o delegado titutar do DP, Virgilio Guerreiro
conversaram com os presos e explicaram que o problema de superlotação não permitia transferir o estudante imediatamente.
"Conseguimos uma trégua de pelo menos 15 dias, período em que os presos se comprometeram a não tocar no rapaz", disse Francisco. Meira está preso sozinho em uma cela.
Francisco negou que os pais do rapaz o visitariam hoje. Embora as visitas normais sejam feitas somente às quartas-feiras, ele poderá fazer uma exceção amanhã, pois os pais de Meira devem vir de Salvador, onde residem.


