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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Toronto, 04 (AE) - Os 34 países do continente americano (todos menos Cuba) formarão uma frente comum na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa no próximo dia 30, em Seattle. O objetivo, anunciado nesta quinta-feira (04), é eliminar os subsídios às exportações agrícolas.
Essa foi a principal decisão tomada pelos ministros da Alca - a área de Livre Comércio das Américas, que os 34 países esperam criar a partir de 2005. Depois de dois dias de reunião, em Toronto, eles concordaram em formar um bloco contra a União Européia (UE), que gasta US$ 7 bilhões ao ano para subsidiar suas exportações agrícolas.
"Esses subsídios são um câncer, que está fora do nosso controle", disse o subsecretário de Comércio dos Estados Unidos
Richard Fischer.
Segundo ele, "85% de todos os subsídios às exportações agrícolas mundiais são da UE". E a única forma de eliminá-los é pressionando os europeus na OMC.
Hoje mesmo os europeus reagiram. Telefonaram de Bruxelas (onde fica a sede da UE) para Toronto. Eles queriam marcar encontros de coordenação com representantes de alguns países da Alca (entre os quais Brasil e Chile), antes da reunião ministerial da OMC.
Para os negociadores do Mercosul o convite chegou tarde demais. No próximo dia 15, os quatro integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) terão um encontro em Montevidéu, discutir uma ação conjunta na OMC.
"O Mercosul também terá reuniões com o Chile e os países andinos, que manifestarem interesse em coordenar posições antes de iniciar negociações em Seattle", disse o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima.
A reunião em Toronto marcou o fim da presidência canadense da Alca e o anúncio das primeiras medidas de integração regional, desde o início das negociações em abril de 1998.
Os ministros concordaram em adotar oito medidas de facilitação de negócios a partir de janeiro próximo. Entre elas, a simplificação do envio de mercadorias de baixo valor (no caso do Brasil, importações de US$ 3 mil e exportações de US$ 10 mil).
Hoje, a Argentina assumiu a presidência da Alca - cargo que exercerá durante os próximos 18 meses. Sua tarefa será coordenar as discussões em nove grupos de trabalho - entre os quais acesso aos mercados, agricultura, compras governamentais, investimentos e serviços. Eles terão até abril de 2001, para apresentar relatórios sobre os diferentes pontos de negociação.
Os chanceleres Luis Felipe Lampreia e Guido di Tella, da Argentina, aproveitaram o encontro em Toronto para discutir os avanços no acordo automotivo entre seus dois países. "Sairá antes do dia 10 de dezembro", assegurou Di Tella. Nessa data, assume o novo governo da Argentina, eleito no mês passado.


