Brasília, 04 (AE) - A Confederação Nacional da Agricultura está prevendo uma redução de 1% na safra agrícola 1999/2000 em relação à safra passada, com a colheita de 81,9 milhões de toneladas de grãos. A estimativa, segundo um boletim informativo divulgado hoje pela entidade, foi feita com base em levantamento de intenções de plantio realizado pelas Federações da Agricultura em sindicatos rurais e, por amostragem, em pesquisa direta do Projeto Conhecer, entre produtores rurais. O dado mostra, segundo a CNA, que o País dificilmente vai alcançar a meta de produzir 100 milhões de toneladas no ano 2000 e que as importações de milho, arroz e trigo do País deverão aumentar no ano que vem.
Com isso, será também frustrada a meta de o País exportar US$ 44,9 bilhões em produtos agrícolas, no ano 2002. Segundo a CNA, o aumento do saldo da balança comercial agrícola dependerá exclusivamente da recuperação dos preços das commodities no mercado internacional, já que o excedente exportável, especialmente de soja, não deverá crescer significativamente.
O levantamento da CNA prevê uma diminuição de 13% da produção de arroz e de 3% da de feijão, o que, segundo a entidade, deverá elevar para 1,3 milhão de toneladas as importações de arroz no próximo ano, o que representa um aumento de 30% sobre as deste ano. Já a queda de 42 mil toneladas na produção de feijão, segundo a CNA, não deverá provocar impacto significativo sobre as importações, que em 1999 devem chegar a 120 mil toneladas. Mas as importações de milho deverão crescer 700 mil toneladas, de 1,1 milhão de toneladas este ano para 1,8 milhão de toneladas no ano que vem, para suprir as necessidades do mercado interno.
A Confederação prevê que, na região Centro-Sul, deverá haver um aumento de 0,3% na área plantadas e, nas demais regiões
se mantidos os percentuais da safra passada, de 0,2%, com isso totalizando 36,6 milhões de hectares de área plantada. Poderá haver, segundo a Confederação, um aumento de 12,5% na área plantada com algodão em Mato Grosso e de 2,5% na ára total de milho. Mas deverá haver queda nas áreas plantadas de feijão, principalmnente na Bahia (25,6%), no Paraná (5,3%) e em Mato Grosso (33,9%). Por outro lado, o aumento dos preços dos insumos (defensivos, fertilizantes e corretivos) e dos combustíveis estão encarecendo os custos de produção.
Em Goiás, por exemplo, segundo a CNA, os custos das lavouras de arroz subiram 19,8%; os das de feijão, 27,6%; da soja, 28,9% e do algodão, 23,9%. No Paraná, os custos da produção de arroz subiram 21,1% e os da de feijão, 15%, enquanto no Rio Grande do Sul o custo a produção de milho cresceu 28,5%.

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