Porto Alegre, 04 (AE) - O Banco Meridional está preparado para um crescimento "explosivo" nas operações de crédito num prazo de aproximadamente dois anos. Esse é o tempo necessário estimado pelo presidente do conglomerado que controla o Banco Bozano,Simonsen, Paulo Ferraz, para a acomodação dos juros médios nominais ao redor de 12% ao ano no País e o consequente aumento de demanda associado à redução da taxa de risco.
Para o empresário, os juros "inviáveis" praticados hoje devem-se a uma situação "muito mais estrutural" do que da responsabilidade direta dos bancos. Ele reconhece a validade das medidas adotadas recentemente pelo governo federal, como a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Afirma, porém, que o "grosso" da queda só virá com melhorias na infra-estrutura, aí incluídas desde as telecomunicações até a diminuição das liminares judiciais concedidas contra os bancos.
De acordo com Ferraz, dois anos será o prazo necessário para o Banco Central implantar e consolidar o "birô positivo de crédito". O mecanismo, na opinião dele, será importante para a redução nos gastos embutidos nas operações. "No Brasil só existe o registro negativo, fornecido pela Serasa ou SPC, o que provoca custos enormes na verificação e checagem dos bons pagadores", comenta.
Com um patrimônio líquido de R$ 1,15 bilhão em 30 de junho, deste ano, o Meridional encerrou o primeiro semestre com R$ 1,28 bilhão em operações de crédito, o que significa um baixo grau de alavancagem. "Nos países desenvolvidos, a relação chega a oito ou nove vezes", compara o presidente. Ao mesmo tempo, no final de junho o banco tinha R$ 3 bilhões aplicados em títulos e valores mobiliários e, de outro lado, captações totais - inclusive as externas - próximas de R$ 8 bilhões.
Desde a privatização, no final de 1997, o Meridional investiu US$ 200 milhões em tecnologia e ampliação da rede de ponto de atendimentos, que passaram de 270 para 310 no período. Ainda este ano serão instalados outros dez, calcula Ferraz. Todas as unidades estão interligadas por intermédio de redes de comunicação implantadas pela Global-One, o processamento de dados foi terceirizado para a IBM.
Conforme o presidente, a nova estrutura implantada pelo banco está permitindo a ampliação da base de correntistas em cerca de 8 mil por mês. Atualmente a instituição conta com 1 milhão de clientes, sendo 40% considerados "relativos" - que recebem salários ou aposentadorias, por exemplo. Há dois anos o número total era de aproximadamente 700 mil, o que representa um crescimento médio anual de 20%, diz o empresário.

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