Brasília, 04 (AE) - O governo foi prudente ao lançar o pacote de alongamento do perfil da dívida pública, porque não partiu diretamente para a extinção dos títulos de remuneração pós-fixada, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), disse hoje o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Alkimar Moura. "Esse seria o caminho natural". O atual ocupante do cargo, Luiz Fernando Figueiredo, admitiu que o objetivo é acabar com as LFT, mas a médio e longo prazo.
A platéia de representantes do mercado de capitais que esteve hoje no auditório do Banco Central, recebeu bem as medidas. Após uma exposição de 25 minutos sobre as novas medidas
o diretor Luiz Fernando Figueiredo abriu espaço para perguntas. No entanto, seguiu-se um silêncio constrangedor. O único a perguntar foi o ex-diretor Alkimar Moura, sobre o futuro das LFTs.
O diretor da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Sérgio Berardi, fez uso da palavra apenas para informar que a instituição realizará um seminário no dia 29 sobre leilão eletrônico de títulos. Diante da escassez de perguntas, Figueiredo brincou: "Entenderam tudo ou não entenderam nada?"
O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Alfredo Rizkallah, disse que o programa anunciado hoje incentiva o mercado secundário de títulos. "A Bolsa sempre apoiará as medidas que contribuam para a maior credibilidade do governo", disse. Na sua avaliação, o setor privado terá mais tranquilidade em adquirir títulos federais, pois sabe que não precisará ficar com o papel até seu vencimento. "As medidas atingirão os objetivos do governo e o mercado terá mais produtos para negociar", comentou o vice-presidente da Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F), Ney Castro Alves.
Na avaliação de Alkimar Moura, as medidas anunciadas hoje são fundamentais para a redução do custo de colocação de papéis do governo em mercado. De acordo com ele, sem um mercado secundário forte, os agentes financeiros têm que cobrar um spread maior para ser prevenir do risco de ter um papel em carteira de pouca liquidez. "Sem um mercado secundário forte, este papel não é negociado em mercado e o comprador tem de arcar com o risco de carregá-lo até o seu vencimento final", afirmou.

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