São Paulo, 04 (AE) - O Índice de Preços no Varejo (IPV) na região metropolitana de São Paulo foi de 2,28% outubro. O resultado só foi possível porque na última semana do mês o índice de variação semanal foi negativo (-1,12%), anulando, parcialmente, o aumento de 1,28% verificado na semana anterior. O índice ponta-a-ponta apresentou taxa positiva de 1,36%, mostrando que ainda há muito espaço para aumentos de preços. Os dados são da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgados em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
O economista da FCESP Miguel Supico explica que como o índice semanal é muito volátil, o resultado é considerado normal. Apesar de o final do ano estar se aproximando e ser considerado uma das melhores datas para as vendas no comércio, o economista descarta a possibilidade de o setor estar "segurando" seus produtos para depois fazer o repasse de preços na época sazonalizada.
A pesquisa do IPV mostra que o segmento que mais contribuiu para a elevação dos preços no comércio foi o de bens de consumo semiduráveis (vestuário, tecidos e calçados), com 4 56%. Em seguida está o grupo de material de construção, que aumentou 3,74% no mês. O setor de comércio automotivo registrou alta de 2,44%, enquanto o item de duráveis apresentou resultado positivo de 1,29% e o de não duráveis de 0,97%.
A variação acumulada do Índice Geral no ano foi de 20 13%. O segmento que mais apresentou alta no período de janeiro a outubro de 99 foi o de duráveis (eletrodomésticos, móveis e decorações) com aumento de 36,86%.
A atuação do Banco Central no mercado de câmbio, na semana passada, vendendo dólares mesmo com o risco de comprometer o nível das reservas, foi de importância primordial para definir o comportamento futuro da taxa de inflação. A contínua desvalorização do real, segundo Supico, estava descaracterizando o regime de livre flutuação da moeda, criando uma expectativa perigosa de reindexação dos preços ao dólar.

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