Rio, 04 (AE) - A expectativa dos empresários brasileiros com as exportações pioraram, segundo a "Sondagem Industrial" da Confederação Nacional da Indústria (CNI), pesquisa trimestral divulgada hoje e realizada em 19 Estados. Embora os empresários ainda estejam otimistas com as vendas para o exterior, as perspectivas não são tão positivas quanto as apuradas nos dois trimestres anteriores pela entidade.
O indicador de perspectiva para as exportações, medido entre julho e setembro, atingiu 56,5 pontos. A pesquisa da CNI, qualitativa, utiliza uma escala que vai de zero a 100 para medir as expectativas. Qualquer número acima de 50 é considerado positivo, a não ser para os indicadores de estoque planejado ou desejado.
No primeiro trimestre, o indicador para exportações chegou a 65,6 pontos e depois caiu para 59,1 no período entre abril e junho. "As expectativas ainda são positivas, mas ajustadas", analisou o coordenador da Unidade de Política Econômica (PEC) da CNI, Flávio Castelo Branco.
O coordenador da sondagem, Renato Fonseca, lembrou que no segundo trimestre muitos empresários que não exportavam planejaram vender para o mercado internacional, por causa da desvalorização do real, mas sem olhar outros fatores importantes
como a dificuldade de conquistar mercados e a queda do preço dos produtos primários. "Depois de anos e anos voltados para o mercado interno, não é trivial que, de um dia para outro, aumentem as exportações", lembrou Castelo Branco.
O indicador para aumento de contratações ficou em 48 pontos, resultado considerado negativo. "A melhora da economia ainda não será suficiente para ter grande impacto no mercado de trabalho", explicou Castelo Branco. No entanto, a pesquisa mostrou que mais de 64% das pequenas e médias empresas e 70% das grandes companhias não prevêem demissões. A CNI também levantou que a maioria das 1.085 empresas consultadas prevê elevação do faturamento nos próximos seis meses.
Índice de confiança - A CNI também divulgou oficialmente
pela primeira vez, os resultados do Índice de Confiança do Empresário Industrial, adotado para prever o nível de atividade econômica nos próximos seis meses. Também medido em uma escala entre zero e 100, o índice atingiu 57,3 pontos no terceiro trimestre do ano, marca superior à do segundo trimestre, de 56 6.
Segundo os economistas da entidade, o aumento do índice refletiu a melhoria das condições econômicas. O índice de confiança é maior entre os grandes empresários (61,9) do que entre os pequenos e médios (54,6). "Os pequenos empresários não têm tido resultados tão favoráveis", justificou Castelo Branco.

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