Rio, 04 (AE) - O presidente da Petrobras Distribuidora (BR), Luiz Antonio Viana, afirmou hoje que a subsidiária da Petrobras não aumentou o preço do álcool vendido aos postos de combustíveis. "Em alguns casos, estamos com preço até mais baixo do que o das usinas, para garantir mercado", disse. "Recebemos pressão de aumento, mas não reajustamos". Segundo Viana, os postos com bandeira BR que reajustaram o álcool o fizeram porque está havendo especulação no mercado.
"Muitos postos no País compram diretamente dos usineiros, que estão reajustando tabelas", explicou. Esses postos aumentaram preços, criando condições para que os outros reajustem também. O executivo não quis se pronunciar sobre a possibilidade de o governo despejar seu estoque de álcool no mercado, para frear os aumentos. "É uma questão estratégica do governo". A BR distribui 100 milhões de litros de álcool aos postos, menos de um quinto do total vendido no País.
Viana anunciou hoje que a BR está se reposicionando para ter mais foco no consumidor. Ele reconheceu que a distribuidora "está atrás na qualidade dos postos", sobretudo em São Paulo, "onde a Ipiranga dá de dez a zero". No Estado de São Paulo, a BR tem 16% do mercado de postos, contra 23% no País.
Há três anos sua participação nacional era de 25%. Viana acha que a BR, que está investindo R$ 100 milhões este ano, pode chegar a 30% em 2005. A empresa distribui atualmente 450 mil barris por dia, enquanto a capacidade de refino de sua controladora é de 1,6 milhão.
A Petrobras, em seu planejamento estratégico, prevê o fortalecimento da BR, assegura Viana. Como parte da reestruturação, a distribuidora está contratando um ombudsman e vai investir em centros de conveniência (postos com serviços agregados, como lanchonetes e bancos). Os parceiros nos centros podem ser algumas das alternativas de financiamento que a BR está buscando, para driblar as "amarras de estatal", segundo Viana.

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