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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Paula Puliti 
São Paulo, 04 (AE) - A desvalorização do real no início do ano mais uma série de falências e concordatas no varejo foram as principais razões que levaram a Brasmotor e sua controlada Multibrás a anunciar hoje a decisão de aumentar em R$ 130 milhões o capital da primeira e em R$ 200 milhões o da segunda (valor que será alcançado com um aporte adicional de R$ 70 milhões da Whirlpool).
A Brasmotor, controlada pelo grupo norte-americano Whirlpool, é acionista majoritária da Multibrás Eletrodomésticos, uma das principais produtoras de linha branca no País. Enquanto no fim do ano passado a Multibrás tinha um dívida equivalente a US$ 100 milhôes, neste ano a empresa viu sua dívida dobrar. A opção pelo aumento de capital tem como objetivo reduzir em 50% o valor da dívida da Multibrás com credores nacionais e externos.
Paulo Periquito, diretor-presidente de Brasmotor e Multibrás, explica que, embora o mercado de linha branca no Brasil não esteja aquecido no momento, o aumento de capital não é reflexo da situação das vendas. "Este ano não será tão ruim como imaginávamos", disse Periquito. "Podemos fechar o ano com vendas estáveis, caso o fim de ano seja bom para o setor".
Ele não descarta, entretanto, que a empresa encerre o ano com vendas até 5% inferiores a 1998. Para o ano 2000, a expectativa é de que a venda de produtos de linha branca acompanhe a economia do Brasil no mesmo passo. Um crescimento econômico de 3% a 4% deve impulsionar as vendas em proporção igual. Periquito tranquilizou o mercado hoje pela manhâ, informando que o aumento de capital não esconde qualquer estratégia que já nâo seja pública. A Multibrás não havia feito operações de hedge contra uma eventual desvalorização cambial.
Paulo Periquito informou, também, que no próximo ano Brasmotor e Multibrás devem repetir o valor de investimentos de 1999, em cerca de R$ 100 milhões. O aumento de capital deve acontecer em janeiro, assim que as empresas concluírem a operação de oferta pública para aquisição das ações das duas companhias no mercado.
A direção da Brasmotor e da Multibrás também confirmou hoje informação antecipada ontem pela Agência Estado, segundo a qual será realizada oferta pública para compra de ações das duas companhias que estão em poder do público.
A Whirlpool, controladora da Brasmotor, quer desembolsar entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões na oferta pública, que deverá estar concluída antes do Natal.
Segundo Periquito, a Whirlpool poderá vir a fechar o capital das duas empresas se os minoritários venderem 100% das ações. Ele confirmou que a decisão da empresa de comprar ações no mercado é parte da estratégia da Whirlpool de aumentar a participação no setor de linha branca na América Latina e manter a liderança mundial de vendas na linha branca.
Questionado sobre a possibilidade de a oferta pública atender à pressão da Previ (que detém 19,85% das ON e 8,43% de PN da Brasmotor), que estaria considerando a possibilidade de se desfazer de alguns ativos, o diretor negou que haja qualquer relação entre a decisão da Whirlpool e a posição da Previ.
Ele garantiu que não houve qualquer conversa entre Brasmotor, Multibrás e Previ antes do anúncio oficial da oferta pública. A Whirlpool vem fortalecendo sua posição em outras regiões do mundo desde 1997.
O diretor descartou ainda que a decisão da oferta pública e um possível fechamento de capital das duas empresas tenha qualquer relação com os custos de manutenção de uma empresa aberta no Brasil.
De qualquer forma, ele sugeriu que o mercado de ações no Brasil, atualmente, é menos atrativo para levantamento de capital, uma vez que há formas menos custosas para captação de recursos.
A direção da Brasmotor e da Multibrás também afirmou que não há intenção de redesenhar o Conselho de Administração da empresa. Os minoritários que venderem suas ações devem perder suas cadeiras, mas a estrutura do conselho e a presidência continuarão as mesmas.


