Newport, 03 (AE-DOW JONES) - Os investigadores estão examinando se um reversor de propulsão desativado pode ter tido algum papel na queda, domingo, do Boeing 767-300 da EgyptAir meia hora após decolar de Nova York para o Cairo, informaram nesta quarta-feira (03) funcionários norte-americanos.
As 217 pessoas a bordo morreram.
Especialistas garantiram ser praticamente impossível que o reversor (usado para desacelerar o avião no pouso) se abra acidentalmente durante o vôo. Mas o fato de ele ter sido desativado chamou a atenção por causa de relatos de um problema no "pino de desativação" desse equipamento em dois modelos de Boeing, incluindo o 767.
A EgyptAir confirmou que um dos dois reversores foi desativado ainda no Cairo, antes da decolagem para os Estados Unidos, por causa de um vazamento no sistema hidráulico. "Trata-se de uma medida técnica que não significa nenhum perigo e é aprovada pela Boeing e pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA)", afirmou o vice-presidente da companhia egípcia, Mohammed Shahin.
O chefe da Junta Nacional de Segurança nos Transportes nos EUA (NTSB), James Hall, confirmou que o vôo com esse equipamento inoperante é permitido, mas anunciou que, de qualquer forma, o problema será completamente investigado por suas equipes.
Foi uma abertura acidental do reversor que causou a queda, em 1991, de um Boeing 767-300 da Lauda Air na Tailândia, matando as 233 pessoas a bordo. Esse avião fora fabricado em 1989, imediatamente em seguida ao da EgyptAir acidentado, dias antes do início de uma greve dos funcionários da Boeing, que se queixavam, entre outras coisas, do cansaço por causa do excesso de horas de serviço.
Há dois anos, o desprendimento de uma parte de um reversor durante o vôo danificou parte de uma asa de outro Boeing 767 da EgyptAir sobre a Tanzânia, mas os pilotos conseguiram controlar o avião e pousar em segurança.
Depois do acidente de 1991, a Boeing redesenhou o mecanismo de controle do reversor para os Boeings 767, 757 e 737, acrescentando uma trava de segurança como quarto sistema para impedir o acionamento acidental do equipamento. Segundo a empresa, todas as companhias, incluindo a EgyptAir, fizeram as correções necessárias nesse equipamento. O do avião acidentado foi corrigido em 1993.
O presidente da Lauda Air, Niki Lauda, afirmou que essa correção tornou o reversor à prova de falhas. "Com o conhecimento do sistema, e presumindo que o avião (da EgyptAir) foi operado corretamente, posso categoricamente descartar a possibilidade de que o reversor tenha aberto durante o vôo", disse o ex-piloto de Fórmula 1.
No entanto, em 15 de setembro a Administração Federal da Aviação dos EUA (FAA) emitiu uma "diretriz de navegação" para que as companhias aéreas substituíssem o pino de desativação e outros componentes dos reversores dos modelos 767 e 747-400 com motores Pratt & Whitney (como o acidentado). "As ações especificadas pela diretriz proposta visam a impedir a falha dos pinos de desativação, que pode resultar na abertura do reversor em vôo e na consequente redução da controlabilidade do avião", diz a diretriz. Segundo a FAA, reversores de alguns Boeings 767 tinham sido parcialmente ativados durante o pouso, apesar da desativação.
Mesmo assim, especialistas afirmaram que, no caso de um problema com o reversor, o piloto do avião teria tido tempo de emitir um alerta, o que não ocorreu no acidente da EgyptAir.





