Buenos Aires, 03 (AE-ANSA) - O governo argentino qualificou hoje (03) de "ato de vedetismo" a decisão do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón de emitir ordem internacional de prisão contra 98 militares e policiais acusados de ter violado direitos humanos durante o regime militar da Argentina (de 1976 a 1983). A medida expõe os citados à prisão em qualquer país que se encontrem.
Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, o presidente Carlos Menem antecipou, também hoje, que rejeitará "prontamente" um eventual pedido da Espanha para extraditar os acusados. "Rechaçaremos tal pedido logo que ele entre na chancelaria e pouparemos esse trabalho ao futuro governo (da Argentina, do presidente eleito Fernando de la Rúa)", disse Menem.
Menem acrescentou que a decisão de Garzón era uma tentativa de violar a soberania nacional. "Pedidos de extradição de ex-comandantes das Forças Armadas - que foram oportunamente julgados, condenados e indultados - já chegaram antes e foram rejeitados. Vamos agir de forma idêntica desta vez."
"A Argentina não vai tomar parte em um show de mídia armado por um juiz da Espanha", afirmou, por seu lado, o ministro do Interior, Carlos Corach. "O princípio da territorialidade ainda está em vigor e estabelece que os delitos devem ser julgados onde são cometidos."
Em Madri, fontes do governo espanhol anunciaram hoje que o procedimento de encaminhamento de pedido de extradição no caso dos militares argentinos será o mesmo adotado em todos os casos. Isso significa que não serão levadas em conta considerações políticas, se o Judiciário solicitar ao Executivo que encaminhe o pedido de extradição.
"Isso tudo é ridículo", reagiu o general da reserva Luciano Benjamín Menéndez, comandante do 3º Corpo do Exército durante a ditadura. "Do jeito que a coisa vai, voltaremos a ser colônia e todos os fatos ocorridos na Argentina serão julgados na metrópole pelo justiceiro espanhol."
Garzón ganhou notoriedade mundial ao emitir uma ordem internacional de detenção contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que aguarda em prisão domiciliar, em Londres, a tramitação do processo de extradição para a Espanha.
Os líderes da repressão do regime militar argentino foram julgados na Argentina durante a presidência de Raúl Alfonsín. Muitos foram beneficiados pelas Leis de Obediência Devida e Ponto Final. Os últimos militares presos receberam indulto especial de Menem em dezembro de 1990.





