São Paulo, 03 (AE) - Não foram poucas as tentativas de colorir e arborizar as Marginais ao longo dos anos. Foi baseada nessas experiências, que sempre começam e nunca tiveram continuidade, que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente chegou à conclusão de que o principal fator limitante para qualquer projeto é a compactação do solo e a consequente dificuldade de drenagem, já que o solo é artificial, muitas vezes formado apenas por entulho e uma fina cobertura de terra .
"Os projetos de paisagismo eram feitos sem conhecer o meio em que as intervenções iam ser feitas", explicou Helena Carrascosa Von Glehn, assessora-técnica da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. "O solo da Marginal do Pinheiros não é comum porque o terreno não é natural."
Arco-íris - Em 1990 a Eletropaulo custeou um projeto de arborização entre as Pontes Eusébio Matoso e Cidade Universitária, na Marginal do Pinheiros, idealizado pelo artista plástico Antônio Peticov. A idéia era plantar sete espécies de árvores que tivessem flores da cor do arco-íris. As mudas, apesar de adubadas e irrigadas corretamente, não se desenvolveram e a Eletropaulo quis então saber por quê. "Era para ser uma obra de arte, mas ali é um aterro compactado e a água não drenava", disse Helena.
Em 1993 a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) foi contratada pela Eletropaulo para fazer uma análise das características do solo da região. A conclusão do relatório foi de que a acentuada compactação do solo, somada à existência de camadas impermeabilizantes formadas por aterros sucessivos com diversos materiais ao longo do canal, foram as principais causas para a inibição do crescimento e morte das mudas.
Foi esse relatório a base de todo projeto formulado pela secretaria para arborizar a Marginal do Pinheiros. Segundo os técnicos, esse trecho estudado é representativo de todo o resto. Para a do Tietê, a base foi o Estudo de Impacto Ambiental feito para as obras de ampliação da calha e alguns estudos complementares feitos pela Cetesb. "A compactação do solo dificulta a expansão das raízes e o sistema radicular acaba atrofiando", explicou Helena. De acordo com o relatório, só é viável o desenvolvimento de vegetação nesse tipo de solo com medidas de recuperação de sua estrutura.
Logo após o teste a própria Cetesb fez um plantio de leguminosas no trecho entre as Pontes Cidade Jardim e Jaguaré. Segundo Helena, as leguminosas são ótimas enriquecedoras do solo
mas não deu tempo disso se confirmar ali porque a Sabesp construiu um emissário naquela região e destruiu toda a plantação. "Não sabíamos que naquele trecho seriam feitas intervenções."
Segundo Helena, a secretaria tem agora um calendário de todas as obras que estão previstas na Marginal. "Não corremos mais o risco de plantar mudas num lugar onde serão logo destruídas por alguma intervenção." Já houve também uma tentativa frustrada de plantar grama nas margens do Tietê. A grama era em placas e a água do rio acabou levando-as embora. "Dessa vez não tem como dar errado porque a preparação do solo será o principal ponto de todo o projeto", a rgumentou Helena.





