São Paulo, 03 (AE) - Buscar no passado - na época em que os principais rios que cortam a cidade corriam naturalmente - a vegetação suprimida pelo "engessamento" dos Rios Pinheiros e Tietê e pela construção das Marginais, e trazer o verde de volta à cidade. Esta é a nova missão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente em parceria com o Jornal da Tarde.
O trabalho de arborização será feito em 57 quilômetros da Marginal do Tietê e em 61 quilômetros de seu principal afluente, o Pinheiros. Além de prever a recuperação de áreas de várzea do Tietê, como o Jardim Pantanal. Como a tarefa não é nada fácil, já que devem ser levadas em consideração todas as construções feitas nas Marginais, além do tipo de solo e suas características - principal limitação para qualquer plano de reflorestamento dessas áreas -, foi criado há cerca de um mês e meio um projeto-piloto na Ponte João Dias, na Marginal do Pinheiros.
O projeto-piloto é um laboratório de tudo que já foi feito e não deu certo para plantar árvores nas margens de rios poluídos como o Tietê e o Pinheiros. Por causa do solo compactado e da poluição, muitas mudas não vingaram. Para arborizar as duas Marginais, é necessário um diagnóstico detalhado de tudo que passa por baixo da terra. É por isso que o projeto vai começar pela margem esquerda do Rio Pinheiros, já mapeada pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), em 1993, a pedido da Eletropaulo. "O projeto é viável porque estudamos tudo que já não deu certo e não iremos repetir os erros", explicou o secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Trípoli.
Segundo Trípoli, não existe uma cartografia atualizada das Marginais e por isso foi necessário fazer aferições de solo, água e ar. Além de levar em consideração a alta compactação do solo, outro ponto essencial para que as mudas sobrevivam é o mapeamento de todas as intervenções feitas nas Marginais e também as que já estão previstas. A equipe da Cetesb registrou entre o Cebolão e a Barragem da Penha cerca de 800 interferências.
Loteamento - Para dar certo, a equipe está apostando na simplicidade. "Não adianta querer fazer projetos mirabolantes na Marginal porque eles não saem do papel", disse Helena Carrascosa Von Glehn, assessora-técnica da secretaria. "Temos de trabalhar com o que está ali, sem grandes modificações para que o plantio possa ser iniciado logo."
O projeto da João Dias é o primeiro passo da primeira etapa da arborização, que deve ser feita nos quatro quilômetros entre as Pontes João Dias e Morumbi. Nessa área, está previsto o plantio de 35 mil mudas de árvores, arbustos e gramíneas, disponíveis na secretaria. Da primeira etapa, a Secretaria irá bancar um bosque inicial de 200 metros. A idéia é lotear a Marginal. Serão "vendidos" lotes de 100 metros à iniciativa privada em toda a extensão do rio. Os trabalhadores que irão plantar as mudas foram recrutados do Programa Emergencial de Auxílio Desemprego do Estado. Cerca de mil pessoas das frentes de trabalho já fizeram curso de jardinagem e estão aptos a começar a trabalhar.
Jerivá - A espécie escolhida para embelezar as margens do Pinheiros e simbolizar o projeto foi o jerivá, que já foi muito comum na região e que por isso deu o primeiro nome ao rio. Antes das intervenções, na década de 30, quando o rio mantinha seu curso natural , cheio de meandros e várzeas, seu nome era Jeribatiba ou Jurubatuba, que em tupi-guarani significa "muitos jerivás". Sendo uma espécie de palmeira, o jerivá tem raízes superficiais, que não precisam se aprofundar no solo, o que torna ideal seu replantio nas margens do Rio Pinheiros. Segundo Trípoli, os primeiros jerivás devem ser plantados em um mês. As árvores vão ser plantadas quase adultas para que a manutenção seja mais fácil e também pela visibilidade. "Em pouco tempo, a população já vai notar a diferença."

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