São Paulo, 03 (AE) - A Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Estanislau do Amaral, no Jardim ¶ngela, na Zona Sul de São Paulo, foi a escolhida para inaugurar, na segunda-feira, o Projeto São Paulo Pomar. Em seu pátio serão plantadas mudas de 12 árvores frutíferas - primeiro lote de um total 193 mudas de espécies frutíferas que serão distribuídas em 16 escolas da região.
"As árvores vão servir para o embelezamento do bairro"
disse Marisa Salete, uma das coordenadoras pedagógicas da escola. "Vai ser bom para quem vive em um lugar tão feio." Nessa região, áreas verdes são raras. Poucas árvores foram plantadas na frente das casas, pois as construções, irregulares, não deixaram espaço nas calçadas. Além das escolas, praças da região receberão 250 mudas e as ruas do bairro, 2.700.
Frutas comestíveis - A notícia sobre o plantio das árvores frutíferas, no dia 8, espalhou-se entre os alunos. Os lugares onde elas vão ser plantadas já foram definidos por engenheiros da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Os alunos garantem que todas vão ser bem-cuidadas. Se bem que muitos deles prefeririam que as frutas fossem comestíveis. Entre risadas, dizem brincando: "Eu ia comer as frutas."
É o caso das amigas Jaqueline Alves, de 14 anos, e Magdalla Ribeiro, de 11, alunas da 5ª série. Rodeadas por dezenas de outros alunos, ambas disseram que frutas comestíveis seriam mais bem-vindas. Concordam, também, que as árvores vão deixar o local mais agradável. "Se tivesse mais verde, o bairro ia ser mais bonito", explicou Jaqueline. Magdalla garantiu que vai cuidar das árvores.
Não há árvores em suas casas nem em suas ruas. "Tem mais é mato", disse Jaqueline. "Na minha casa pelo menos tem plantas", emendou a outra aluna. Além de mais respeito por parte dos alunos, Magdalla, filha de pai pedreiro e mãe desempregada, falou que a escola precisa mesmo é de mais segurança. "É preciso construir muros para a gente se sentir seguro."
Orientação - Mãe de três filhos, um deles aluno da 1ª série na Emef Antonio Estanislau do Amaral, Ana Maria Santos afirmou que, se os alunos forem bem orientados, não vão destruir as árvores. "O que for para melhorar é sempre bem-vindo." Ela aproveita a ocasião para explicar a Jorge, seu filho de 8 anos, que não há árvores na frente de casa porque "a calçada é muito estreita".
Dono de uma loja que pode ser descrita como um misto de papelaria, bar e avícola, ao lado da escola, João de Oliveira, mineiro de Viçosa, é o protetor das poucas árvores do bairro. Foi ele quem, por exemplo, montou uma cerca em volta de um pé de pau-brasil, plantado recentemente na escola por conta dos 500 anos de descobrimento do Brasil. "Não há nada mais gostoso do que ficar debaixo de uma árvore quando faz sol", explicou, sorrindo.
Foi "seu" João, como é conhecido, que reuniu há dois meses pessoas da comunidade para conseguir o material e construir a calçada em volta da escola. "Não tinha calçada, só lixo", disse. Só de entulho, dali saíram oito caçambas. Hoje, na calçada, foram plantadas árvores, ainda pequenas, mas todas já protegidas pelas cercas colocadas por "seu" João.

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