São Paulo, 03 (AE) - A Igreja Católica voltou a ser manchete dos grandes jornais e a ter destaque na cobertura da televisão. No Dia de Finados, uma missa e um show de cantores, entre eles o padre Marcelo Rossi, levaram aproximadamente 600 mil pessoas à zona sul de São Paulo. No mesmo dia e na mesma região da capital paulista, a 4.ª Caminhada pela Vida e pela Paz
integrada por cerca de 10 mil pessoas, percorreu bairros violentos. A passeata, que também foi organizada com a ajuda dos Núcleos de Vivência Cristã da Diocese do Campo Limpo, terminou no cemitério do Jardim São Luiz. É ali que são realizados cerca de 30 enterros por dia, 70% deles de jovens assassinados entre 15 e 25 anos.
Apesar de algumas críticas à estratégia de comunicação da ala da Igreja Católica que promove os padres cantores, há quem acredite que isso não prejudica o trabalho de evangelização. "Religião também é alegria e esperança e os cantores cristãos fazem com que o Evangelho penetre na cultura"
afirma d. Emilio Pignoli, bispo de Campo Limpo. Para ele, o trabalho dos padres cantores é positivo e faz despertar a consciência cristã nas pessoas, levando a palavra de Deus. Mas o bispo faz uma ressalva: "É imprescindível que as pessoas, em pequenos grupos, discutam seus problemas à luz da palavra de Deus". Esse, segundo Pignoli, é o trabalho que permite uma evangelização mais profunda. Críticas - Em artigo publicado hoje no jornal "O Estado de S.Paulo", Frei Betto, escritor e assessor da Pastoral Operária, critica os setores da Igreja Católica que, segundo ele, "trocam a liturgia pela dança aeróbica". "Na esfera católica, torna o produto mais palatável, destituindo-o de três fatores fundamentais na constituição da Igreja, mas inadequados ao mercado: a inserção dos fiéis em comunidades, a reflexão bíblico-teológica e o compromisso pastoral no serviço à Justiça. As homilias reduzem-se a breves exortações que não incomodam as consciências", afirmou o frade dominicano.

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