Rio, 03(AE) - O risco de contaminação por amianto do grupo anfibólio no cinema Leblon, na zona sul do Rio, revelado pelo jornal "O Estado de S.Paulo" em 20 de julho, levou a Secretaria da Saúde a interditar e isolar hoje a sala 2 por tempo indeterminado, a partir das 15 horas. A utilização da substância (do tipo tremolita actinolita) no revestimento térmico e acústico do teto e da parte interna da tela do cinema foi confirmada por laudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).O gerente de marketing do Grupo Severiano Ribeiro - que administra o cinema -, Arturo Netto, informou que a empresa não vai recorrer da decisão. "Estamos à disposição da secretaria para realizar o trabalho necessário, de acordo com as especificações técnicas exigidas", disse.
Estudos indicam que o contato prolongado por inalação com o amianto anfibólio - proibido por lei no Brasil desde 1995 - pode causar câncer no pulmão, mesotelioma de pleura (tumor maligno) e asbestose (doença que provoca perda da capacidade respiratória). Segundo especialistas, os sintomas podem levar até 20 anos para se manifestar. O subsecretário da Saúde do Estado, José Leôncio, anunciou a medida e recomendou que os funcionários que trabalham no cinema procurem especialistas para avaliação médica. Ele admitiu o risco de contaminação para as pessoas que frequentavam a sala, mas disse considerar essa possibilidade "muito baixa". No caso da sala 1, a secretaria afastou qualquer risco, apesar de a Fiocruz ter inicialmente apontado também essa hipótese.
O processo sobre o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal, que deverá avaliar a existência de crime contra a saúde pública. O departamento jurídico da secretaria analisa a aplicação de multas. Cinemas - O amianto foi aplicado nos cinemas no início da década de 80, por meio do jateamento do produto Limpet (composto pela substância), conforme denúncia feita por um ex-funcionário da Indústria Brasileira de Isolantes Térmicos Temporal S.A - empresa que faliu em 1994 e era responsável pela utilização do Limpet no País, segundo documentos obtidos pela reportagem. A secretaria vai começar ainda esta semana a rastrear os ex-funcionários da Temporal e a investigar a informação de que produto teria sido utilizado também em duas igrejas e no edifício Avenida Central, entre outros locais.
Para o presidente da Associação Brasileira do Amianto, Milton do Nascimento, a decisão da secretaria "não tem fundamento técnico", porque "não há fibras de amianto em suspensão no cinema". Já a fiscal do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi, vê o risco como "evidente", por causa do estado de degradação do revestimento. "A medida é inédita no País e abre um precedente muito importante", disse.

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