Aparecida de Goiás, GO, 03 (AE) - Do lado de fora da Casa de Prisão Provisória (CPP) parentes de presos e reféns aguardavam ansiosos o desenrolar das negociações, mas pelo menos uma pessoa vivia momentos de angústia. O militar aposentado João Batista de Souza Martins, pai da agente carcerária Núbia Maria Martins, grávida de três meses e mãe de duas crianças, estava preocupado com a promessa feita por Osmar Martins, líder dos amotinados. "Ele mandou ela falar para nós que se a polícia invadisse, matariam a todos e depois faria um churrasco com os reféns", afirmou o aposentado.
O único contato feito por Núbia desde às 19 horas de segunda-feira, quando começou o plano de fuga dos 15 presos, foi por volta das 22h30, do mesmo dia. A agente carcerária foi obrigada a telefonar para a irmã, de um telefônico público próximo do pavilhão 3, onde ocorria o motim. "Ela estava bastante nervosa e chorava", conta a irmã Cláudia. "Não chegou nem a perguntar pelos filhos (um de cinco anos, com síndrome de Down e outro de 18 meses), já que eram os presos que ditavam o que ela deveria falar ao telefone".
Osmar Martins pediu para que a família de Núbia avissasse a polícia que, se houvesse invasão, todos seriam mortos. "Além disso, ele falou que iria fazer um churrasco com os reféns", disse Cláudia. Após o aviso, toda a família iniciou uma vigília em frente à CPP. "Não consigo imaginar minha filha nas mãos de um monstro deste tipo", disse João Batista Martins, referindo-se ao líder dos amotinados. "Todos os reféns estão em mãos de feras", acrescentou o pai de Núbia.
O desespero também tomou conta de Julita Gomes de Jesus, mãe de três presos do pavilhão 3, onde ficam os presidiários que aguardam julgamento. Ela contou que um dos filhos iria ser libertado hoje, mas diante do motim, não sabeia o que iria acontecer. Além dos filhos, duas filhas de Julita estavam na mesma ala, também aguardando julgamento.

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