São Paulo, 03 (AE) - Até o fim do próximo ano, pelo menos mais 48 bases de policiamento comunitário devem ser criadas. Atualmente, existem 221 núcleos espalhados por 192 cidades do Estado de São Paulo e um efetivo de 7.500 policiais. O anúncio foi feito hoje pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Rui Cesar Melo, durante o 1.º Fórum Internacional de Polícia Comunitária e Direitos Humanos. A iniciativa reflete a disposição da PM em encurtar a distância entre os policiais e a população.
"Queremos atuar cada vez mais preventivamente, pois os resultados têm sido muito positivos", afirma o coronel. "Temos constatado um decréscimo de cerca de 40% em roubos e homicídios em regiões onde o policiamento comunitário está funcionando, como, por exemplo, no Jardim ¶ngela". Além de representantes da polícia, participaram da abertura do evento no Anhembi o governador Mário Covas (PSDB), o prefeito Celso Pitta (PTN) e autoridades em segurança pública de São Paulo. "O policiamento comunitário é uma das soluções para o combate da violência, pois aproxima o policial da sociedade; ele sabe, por exemplo, quem está viajando, porque tal residência está fechada", elogia Covas.
Para o governador, não é a pobreza e a miséria que geram a criminalidade, mas o convívio da extrema pobreza com a riqueza. "Vivemos uma democracia publicitária, que leva as pessoas a comprarem o que não precisam e onde a violência está por todas as partes", diz. "Como muitos paulistas, tenho televisão em casa e sempre que mudo de canal vejo gente matando gente; hoje o video game que a criança brinca tem violência, os gibis do Flash Gordon e do Fantasma foram substituídos por outros com brigas homéricas, e depois parece que a violência é culpa da polícia".
Helicópteros - Durante o fórum, Covas entregou dois helicópteros à PM e o comandante-geral da polícia anunciou a compra de 700 carros. Na esfera municipal, o prefeito Pitta prometeu mais 1.500 homens e mulheres no efetivo da Guarda Metropolitana e disse que a cooperação entre a Prefeitura e o governo estadual no combate à criminalidade é fundamental. Pitta reconheceu que a cidade passa por um momento delicado e é preciso juntar esforços. "São Paulo hoje não é uma cidade da qual nos possamos orgulhar como padrão; seu problema número um é a violência". Ajuda internacional - O encontro foi organizado pela Polícia Militar para discutir propostas contra a violência. Até sexta-feira, representantes de 30 países e especialistas brasileiros participarão de palestras e debates. Sexta-feira, devem falar, entre outros, o diretor de Polícia Comunitária do Japão, Takahito Kimura, e o representante da polícia de Miami, Gerard Rudoff.
Aberto ao público e com entrada gratuita, o fórum também comemora os dois anos de início do policiamento comunitário. Simultaneamente, estão sendo realizados o 4.º Congresso de Ordem
Segurança Pública e Direitos Humanos para o Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e a 1.ª Feira Internacional de Equipamentos e Serviços de Segurança Pública e Proteção Individual. Mais informações pelo telefone: (0XX11) 3327-7614.

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