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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Edson Luiz Enviado Especial 
Aparecida de Goiás, GO, 03 (AE) - A polícia de Goiás decidiu não atender às reivindicações dos 15 presos rebelados da Casa de Prisão Provisória (CCP) do Estado. Eles querem dez carros, armas pesadas e R$ 50 mil em troca dos cinco agentes penitenciários que mantêm como reféns desde segunda-feira, entre eles, Núbia Maria Martins, grávida de três meses. No final da tarde de hoje, as negociações foram retomadas entre presos, quatro delegados e o secretário de Segurança Pública do Estado, Demóstenes Xavier Torres.
Os presos dominaram os agentes penitenciários após receber nas celas do Pavilhão 3 da CPP armas e munição, que a polícia acredita teriam sido entregues pelo carcereiro Arnaldo Rodrigues da Silva, em troca de R$ 2 mil. Um sargento e um cabo que fazem a guarda do presidío também são acusados de ter facilitado a entrada de dois revólveres, uma pistola e duas caixas de balas para os presos rebelados. Ontem à noite, a polícia descobriu também que estava sendo cavado um túnel, pelo qual fugiriam 250 detentos. Torres ordenou o corte da energia elétrica e a suspensão do fornecimento de alimentos e água aos presos já desde a madrugada de terça-feira.
Hoje à tarde, eles liberaram a presidiária Arlene Ferreira Rezende, grávida de sete meses, que estava passando mal
e a carcereira Fátima de Jesus Santos, também grávida, de três meses. Segundo assessores de Xavier Torres, a libertação das mulheres era um primeiro passo para que as negociações fossem recomeçadas. O líder do movimento é Osmar Martins, preso pelo sequestro do compositor Wellington Camargo, irmão dos cantores sertanejos Zezé di Carmargo e Luciano. Martins é considerado um dos mais perigosos criminosos do País e já planejou e executou outras fugas em diversas penitenciárias. A última foi em Campo Grande (MS), de onde saiu com a ajuda dos irmãos e de outros integrantes da família Oliveira, com quem pratica crimes há anos. Plano - Segundo Torres, o Serviço de Inteligência da Polícia descobriu que a intenção dos presos era ambiciosa. Depois de escaparem, eles pretendiam sequestrar uma alta autoridade do Estado ou até mesmo familiares de promotores, delegados e juízes. Além disso, eles teriam pensado em usar um helicóptero para sair da prisão. "Eles não reivindicam nada, apenas querem fugir", afirmou Torres. O secretário de Segurança Pública disse que o governo não vai ceder, mesmo com a promessa dos presos de que matarão os cinco reféns.
Durante a madrugada e parte do dia de hoje, policiais militares fizeram intensa movimentação na CPP. Várias motos circulavam pelo pavilhão 3, enquanto policiais do Batalhão de Choque faziam disparos e jogavam bombas de efeito moral na cela onde os amotinados se encontram. No final da tarde, os presos nomearam uma nova comissão para discutir a situação com o chefe da Polícia Civil do Estado, delegado Marcos Martins Machado, o diretor da Divisão Anti-Sequestro, José Pinheiro e outros dois delegados, além do secretário de Segurança. Havia a a perspectiva que o motim acabasse. Em nenhum momento o líder do grupo apareceu para negociar. Dois outros detentos servem de porta-vozes do grupo.
Em toda a operação, a polícia de Goiás utiliza mais de 300 homens, na maioria especialistas em crises e experientes em fugas no Estado. Apesar de ter apenas um ano de funcionamento, a CPP é tida como uma das prisões mais frágeis do Centro-Oeste. Não há muros e o túnel que estava sendo cavado pelos presidiários demonstrou a fragilidade do local. "É uma prisão sonrisal", ironiza Torres. "Desmancha facilmente".


