Rio, 03 (AE) - O juiz da 1ª Vara da Infância e Adolescência do Rio, Siro Darlan, deve se reunir, amanhã (04), com promotores de bailes funks na cidade. Na pauta, o retorno das festas, proibidas desde o dia 24 de outubro quando três adolescentes foram mortos em um confronto entre galeras. Darlan quer a garantia das equipes de som de que os bailes não terão mais incentivo à violência e venda de bebidas a menores de idade. "É a garantia do atendimento ao lazer dentro do que a lei estabelece", afirmou. E ressaltou a necessidade de alvará da prefeitura para os bailes voltarem a ser autorizados.
O juiz deve se enconrtrar também com o delegado da 28ª Delegacia de Polícia, de Campinho, Arthur Cabral. O delegado investiga a suposta ligação entre o tráfico de drogas e promotores de baile funk. Recentemente, ele apreendeu fitas de vídeo em que adolescentes aparecem em cenas eróticas. "No meu entender, eu tenho a prova técnica da corrupção de menores nesses bailes", afirmou o delegado. A fita "Rio Funk Proibido - os bailes que agitam as galeras cariocas" foi tirada de circulação há cerca de dois anos, por ordem do juiz Siro Darlan, mas voltou a ser distribuída clandestinamente.
Na sexta-feira passada, cópias foram apreendidas na seção de filmes pornográficos de uma locadora na Praça Seca, zona oeste do Rio. As fitas têm cenas de rapazes tocando os órgãos sexuais de meninas que teriam entre 13 e 14 anos dançando de biquíni em bailes funks. Tráfico - Cabral deve conversar com o juiz ainda sobre o andamento do inquérito que apura o tráfico de drogas nos bailes funks. Uma caderneta encontrada numa boca de fumo do Morro do Chapadão, na zona norte, trazia a anotação "mil para o Furacão 2000/ dois mil para os outros bailes". O delegado acredita que sejam indícios de pagamento de comissões.
Darlan reagiu com cautela. "É preciso estudar com muita atenção essa agenda, para não se cometer injustiça", disse o juiz. "Há casos de pessoas inocentes que tiveram seus nomes escritos em agendas sem seu conhecimento", comentou.

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