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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio de Janeiro, 03 (AE) - A Companhia Vale do Rio Doce informou nesta quarta-feira (03) que obteve lucro líquido de R$ 192 milhões no terceiro trimestre deste ano. O valor foi 32,9% menor do que o do trimestre anterior (de R$ 286 milhões), por causa da desvalorização do real, segundo a companhia.
No entanto, este mesmo fator contribui para fortalecer o fluxo de caixa, de acordo com o comunicado do diretor de Relações com o Mercado da Vale, Gabriel Stoliar.
Entre janeiro e setembro, o lucro líquido chegou a R$ 801 milhões, valor 3% maior do que o alcançado no mesmo período em 1998. O resultado foi registrado em no ano em que o modelo de gestão da companhia foi alterado pelo presidente de seu Conselho Administrativo, Benjamin Steinbruch.
O comunicado da empresa explicou que a valorização do dólar teve influência negativa na expansão das despesas de operação, por causa dos gastos com juros na dívida externa, na equivalência patrimonial e no custo dos produtos vendidos.
A Vale informou que as vendas de minério de ferro e pelotas continuaram a crescer no terceiro trimestre graças à recuperação de alguns mercados do sudeste asiático. A ásia deteve 38% de participação das vendas da empresa, e foi o seu maior mercado de julho a setembro.
Durante todo o ano, 77% das vendas de minério de ferro e pelotas foram para o mercado internacional, contra a parcela de 75,9% no mesmo período no ano passado.
O volume total vendido até no terceiro trimestre chegou a 25,1 milhões, um aumento de 7,5% sobre o trimestre anterior. O comércio de pelotas de ferro cresceu aproximadamente 22%. Segundo a companhia, o dado mostra a recuperação forte da demanda por seus produtos, porque a demanda das pelotas é mais cíclica do que a do minério de ferro.
Outra atividades da CVRD não tiveram resultados tão positivos, pela influência da recessão brasileira. O setor de transportes teve um declínio de 12,5% em sua movimentação, de janeiro a setembro, em comparação com o mesmo período em 1998. Também foram registradas queda de 57,5% nas vendas de manganês. A comercialização do ouro e do potássio cresceram, respectivamente
28,2% e 70%.
A companhia informou que, em setembro, possuía ativos em dólar estimados em R$ 32 milhões, garantindo imunidade a novas desvalorizações até o fim do ano. O passivo líquido total em dólar, até setembro, era de R$ 3 bilhões.
Segundo o comunicado, a dívida líquida da CVRD (que exclui caixa, recursos disponíveis e créditos a receber de coligadas e controladas), em 30 de setembro, era de US$ 629 milhões. Em dezembro de 1998, o volume era de US$ 711 milhões.


