Brasília, 03 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse hoje que o governo poderá utilizar seus estoques de álcool para conter a alta do produto nas bombas. "Não se justificam aumentos da magnitude que têm ocorrido", disse. Ele informou, ainda, que sua secretaria está investigando os aumentos nos preços, pois há notícias de elevação de até 50%.
Os preços do álcool carburante são liberados. Eles subiram porque, no dia 22 de outubro, o governo decidiu eliminar o subsídio que tornava o álcool competitivo com a gasolina. Pelas contas da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), o aumento decorrente do fim do subsídio deveria ser de do máximo 6%. "Estamos preparando medidas que entrarão em vigor caso seja necessário", disse Considera.
O secretário explicou, ainda, que o aumento nos preços do álcool não pode servir de justificativa para a elevação dos preços da gasolina. O governo não eliminou o subsídio ao álcool anidro, que é misturado à gasolina.
No início da noite, o Ministério da Agricultura divulgou nota informando que o Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (Cima) "está atento à evolução dos preços praticados pelos distribuidores e revendedores e não hesitará em adotar medidas, já equacionadas, que venham a coibir excessos que prejudiquem o consumidor." A nota recomenda, ainda, que se faça pesquisa de preços antes de abastecer.
"Esta prática servirá sempre como elemento de neutralização de abusos que venham a ser cometidos, auxiliando no estabelecimento da concorrência do setor." A nota lembra, ainda, que a eliminação do subsídio ao álcool foi mais um passo na liberalização dos preços do setor. Ela deu continuidade a duas medidas adotadas em fevereiro passado: a redução do subsídio do preço do álcool na bomba de R$ 0,127 por litro para R$ 0,045 por litro e o fim do tabelamento do álcool, cujo preço estava fixado em R$ 0,41 por litro.

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