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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 03 (AE) - O empresário que percorreu hoje agências bancárias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, na zona sul de São Paulo para participar do "Programa Brasil Empreendedor", anunciado em outubro pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, saiu de mãos abanando. O programa entraria em operação oficialmente hoje nas agências dos bancos oficiais, entre eles Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (CEF). O gerente das agências da CEF na região da Avenida Paulista, ouviram falar do programa pelo noticiário, mas não sabiam especificar as linhas de financiamento e prazos e nem encaminhavam à Central de Atendimento do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), como esperava os representantes do Ministério do Desenvolvimento, em Brasília.
O programa prevê que o empresário seja encaminhado das agências para as centrais de atendimento do Sebrae, que farão uma triagem, fornecerão cursos de capacitação do empresário, e montarão um plano de negócio. De posse do Plano de Negócio, o empresário seria encaminhado para uma agência de banco oficial para requisitar financiamento de capital de giro, investimento fixo ou misto (parte do dinheiro para giro e outra parte para investimento).
Houve gerente da CEF que confundiu o "Programa Brasil Empreendedor", que tem financiamento com prazo de até 8 anos, com empréstimo bancário para compra de imóvel por pessoa física. Em geral os gerentes queixaram-se de não terem sido convocados ainda para treinamento.
Outros estão esperando que o Sebrae envie um dos cinco mil agentes (estudantes e aposentados que serão contratados para orientar os empresários). Há funcionários de banco oficial esperando que estes agentes compareçam nas agências bancárias para realizarem o atendimento dos empreendedores.
Serão aplicados R$ 243 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em treinamento dos empreendedores. O programa deverá ser concluído até setembro do ano 2000 e tem metas ambiciosas, como capacitar 2,3 milhões de empreendedores; gerar e manter três milhões de postos de trabalho e realizar 1,15 milhão de operações de crédito no valor de R$ 8 bilhões até o final do ano 2000.
O número de operações de crédito para microempresas nos bancos oficiais deve saltar de R$ 350 mil em 1998 para R$ 1,15 milhão (no período entre outubro de 1999 e setembro de 2000). No entanto, na pratica, ontem nas agências bancárias, os bancos oficiais do centro financeiro da capital paulista, zona sul de São Paulo, o "Programa Brasil Empreendedor" é algo que se ouve em discurso em Brasília.


