São Paulo, 03 (AE) - O aumento dos preços nos produtos que enfrentam concorrência foi a principal causa da inflação de 0,93% registrada pelo Índice de Custo de Vida (ICV) no mês de outubro. Esse índice é calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) na cidade de São Paulo. A alta de outubro representa uma forte aceleração em relação aos meses de setembro e agosto, quando o índice foi de 0 37% e 0,38%, respectivamente. No ano, o ICV já acumula uma elevação de 7,06%.
Os itens que compõem o ICV são agrupados segundo o grau de competição: concorrenciais, públicos (bens cujos preços são administrados pelo governo) e oligopolizados (pouca concorrência). Até julho, os preços dos setores onde há concorrência (alimentos industrializados, serviços privados, vestuário, etc.) ajudaram a segurar a inflação, reduzindo o impacto dos aumentos de combustíveis, energia elétrica e tarifas telefônicas. Esse comportamento mudou.
Esse grande grupo encerrou julho com deflação de 0,13%. Em agosto, os preços já ficaram estáveis: menos 0,01%. Em setembro, ocorreu uma elevação de 0,28% e em outubro os preços desse grupo subiram 0,81%. Os preços do item alimentação aumentaram 1,32% e do vestuário, 1,40%. Isoladamente, a maior alta foi de transportes, com mais 1,96%.
Os preços de bens públicos e dos oligopolizados subiram mais que os segmentos onde há concorrência, encerrando outubro com alta de 1,28% e 1,18%, respectivamente. Sua participação na composição do consumo familiar, contudo, é menor do que dos bens onde há concorrência. Os concorrenciais respondem por 75% dos gastos totais de uma família paulista, segundo as estimativas do Dieese.
O aumento nos produtos onde há concorrência já era esperado pelos técnicos do instituto. Ele decorre das pressões de custo provenientes do aumento das tarifas públicas e da alta do dólar, que provocou reajuste dos insumos importados.
A expectativa dos técnicos do Dieese é de que o movimento de reajuste nos setores onde há concorrência se intensifique, mantendo a taxa de inflação dos próximos dois meses próxima a 1%, o que elevaria a inflação do ano para um índice entre 9% e 10%, segundo cálculos de Cornélia Nogueira Porto, coordenadora da pesquisa de preços do Dieese.
Também o aumento da demanda, comum no fim do ano em função do pagamento do décimo terceiro salário e de um maior nível de emprego, deve abrir espaço para reajustes, segundo estimativas dos técnicos da instituição.
Entre as menores taxas de reajuste de outubro, os preços de equipamento domésticos subiram 0,05%, enquanto os gastos com educação e leitura aumentaram 0,08%. No item recreação foi registrado queda de 0,87%.

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