São Paulo, 03 (AE) - A Telesp Participações (TelespPar), controlada pela SPT Participações, constituída pelos vencedores da privatização da telefonia fixa em São Paulo, anunciou hoje um plano de reestruturação societária e operacional, envolvendo as duas operadoras da companhia, a Telecomunicações de São Paulo S.A. (Telesp) e a Companhia Telefônica da Borda do Campo (CTBC), além da própria SPT. A reestruturação vai envolver troca das ações das empresas e as bases fixadas para a permuta, segundo analistas de mercado, beneficiará os 3 milhões de acionistas da holding, mas o mesmo não ocorre com os cerca de 450 mil acionistas da Telesp. "Em termos de valor intrínseco, o preço de mercado não reflete o quanto a empresa realmente vale", afirmou o Ricardo Kobayashi, especialista em telecomunicações do Banco Pactual
O objetivo do programa, que ainda vai ser analisado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) , é realizar três incorporações para que só reste uma única empresa no sistema Telesp. "O surgimento de uma companhia com maior capitalização de mercado e com uma gestão de ativos mais eficientes, principalmente de Telesp e CTBC, criará valor para todos os acionistas", afirmou Fernando Xavier Ferreira, presidente do Grupo Telefônica no Brasil, em comunicado à imprensa.
A operação já era aguardada pelo mercado financeiro e a expectativa é de que outras empresas do ex-Sistema Telebrás sigam o mesmo caminho. "Há uma redução de custo e melhora na gestão com a unificação das empresas", disse o analista do BBA Icatu Carlos Eduardo Sequeira, especialista em telecomunicações. Muitas delas foram criadas visando a privatização da Telebrás. No caso da Telesp, por exemplo, 68% das ações das empresas pertencem à holding TelespPar, que adquiriu também a CTBC.
De acordo com Ferreira, "nenhuma dívida será transferida do grupo controlador para a companhia remanescente após a reestruturação". "Acrescentou que "além disso, a amortização do ágio não causará nenhum impacto nos resultados futuros da empresa e melhorará seu fluxo de caixa".
Ao ser incorporada pela TelespPar, a SPT levará para essa companhia o benefício fiscal decorrente da amortização do ágio pago na privatização. O ágio é dedutível da base de cálculo para o Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Com isso, a empresa terá fluxo de caixa futuro adicional, o que a deixará mais capitalizada, com maior potencial de investimento.
Troca - Na primeira etapa da reestruturação societária, a TelespPar vai incorporar a CTBC e seus acionistas receberão, em troca, papéis da Telesp. Na segunda etapa, a Telesp (operadora) será incorporada pela Telesp Participações. Os donos de ações ordinárias da Telesp receberão em troca 7,0091 ações ordinárias da Telesp Participações e para cada ação preferencial da Telesp o acionista receberá 5,4173 ações preferenciais da Telesp Participações. Para chegar nessa relação de troca, a empresa apurou as cotações de fechamento dos papéis nos últimos 60 pregões.
De acordo com Sequeira, do BBA, a base de troca ficou um pouco abaixo do esperado pelo mercado, tanto que nos últimos dias as ações estavam-se valorizando. Na prática, como o valor de mercado está abaixo do valor patrimonial, os acionistas das Telesp vão ter desconto para receber as ações da TelespPar, a empresa remanescente do processo de reestruturação e que corresponde à antiga Telebrás.
Os analistas observam que a holding de participações tem suas vantagens como maior liquidez - seus papéis são negociadas até em Nova York - e os acionistas da Telesp vão usufruir dos ganhos fiscais decorrentes do ágio da privatização. Kobayashi afirma que deve haver um ajuste das cotações dos papéis das empresas para se adequar à relação de troca: ou os papéis da operadora se desvalorizam entre 10% e 12%, ou ações da TelespPar sobem na mesma porcentagem.

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