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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 03 (AE) - A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 921 milhões entre janeiro e outubro. Com a divulgação dos números do comércio exterior do mês passado
hoje, o governo corre o risco de ver ultrapassado o compromisso de se chegar a um déficit de US$ 1 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de ele ser formalizado na revisão do acordo. As importações de outubro chegaram a US$ 4,458 bilhões, ou seja, US$ 154 milhões a mais que as exportações, que somaram US$ 4,304 bilhões.
Entre janeiro e outubro, o País vendeu um total de US$ 39,337 bilhões, o que representa uma diferença negativa de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado. As compras do exterior somaram US$ 40,258 bilhões. Segundo o secretário substituto da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, o déficit acumulado de outubro "representa uma forte redução" (81,78%) em relação ao resultado do ano passado, que neste mesmo período chegou a US$ 5,057 bilhões.
Os números de outubro, segundo Ramalho, são animadores. "É um bom resultado, pois há um crescimento consistente das exportações nos últimos meses", disse o secretário substituto. Em relação a setembro, as exportações tiveram um aumento de 2 8%. Se comparado a outubro do ano passado, o incremento é de 7 2%. "O que está claro é que as exportações vêm crescendo", disse Ramalho.
O secretário não quis fazer estimativas sobre o resultado da balança no final do ano, mas afirmou que o déficit não deve ser muito maior do que o verificado em outubro. "Não acredito que as importações vão dar um salto nos últimos meses do ano", disse Ramalho. Segundo ele, os níveis de outubro já são considerados acentuados e boa parte das empresas já fez as importações previstas para o fim do ano.
Como as exportações mostram um ritmo crescente, Ramalho afirmou que o resultado da balança pode se manter em equilíbrio até dezembro. "Estamos registrando déficit muito pequenos nos últimos meses", afirmou.
O Ministério do Desenvolvimento ressaltou que outubro deste ano teve 20 dias úteis, um a menos do que o mesmo mês do ano passado. A média de exportações por dia útil em outubro chegou a US$ 215,2 milhões, o que significa 12,6% a mais que os U$ 191,1 milhões de outubro de 1998. As importações também cresceram em relação a setembro (4,8%), mas tiveram uma queda acentuada se comparadas a outubro passado (-18,3%).
As importações de combustíveis e derivados continuaram pressionando o déficit, sendo os únicos produtos que tiveram aumento de compras no exterior em outubro. O País pagou 35,7% a mais pelo combustível importado, se comparado a outubro passado. A quantidade de produto comprado, porém, teve uma redução de 28 8%. Sobre setembro deste ano os gastos com as importações de combustíveis e lubrificantes cresceram 21,1%, mas a quantidade caiu 4,6%.
O bom resultado das exportações em outubro, segundo Ramalho, se deve ao aumento da quantidade de produtos brasileiros vendidos no exterior e à recuperação de preços como soja em grão, óleo de soja, açúcar e celulose. Os preços dos produtos semifaturados tiveram um aumento médio de 9,2% em relação a setembro. Da mesma forma, os produtos faturados ficaram com preços 4,7% mais altos em outubro.


