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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 03 (AE) - A participação de trabalhadores com pouca escolaridade no mercado de trabalho caiu nesta década, com maior velocidade a partir de 1996, segundo o boletim Mercado de Trabalho - Conjuntura e Análise, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Usando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o instituto informou que a participação dos trabalhadores com um ano de estudo no mercado de trabalho era de 37,1% em 1991, e chegou a 23,7%, até agosto.
Até 1995, a queda, em média, era de 1,8% ao ano. A partir de 1996, este número saltou para 5,9%. A participação dos trabalhadores que estudaram entre cinco e oito anos aumentou 15 7%, de 1991 até 1998. Mas de janeiro a agosto, a retração acumulada chegou a 2,8% na comparação com o mesmo período no ano passado.
Os trabalhadores com 12 ou mais anos de estudo tiveram aumento de 6% de participação no mercado neste ano, de acordo com o IBGE. "A exacerbação da mudança pode ser por causa da estagnação da demanda de trablaho a partir de 1997", afirma o boletim do Ipea. Na análise dos economistas do instituto, com este fenômeno ficou mais fácil para os empregadores substituírem empregados com pouco estudo por mão-de-obra mais qualificada.
Queda de renda - O boletim detalhou também que os homens vêm sofrendo um declínio sistemático na presença relativa no mercado de trabalho, passando de 80% do total em 1991 para 72% para agosto de 1999. As mulheres, em contrapartida, mantiveram sua participação estável, em torno de 44%.
Os jovens, de acordo com o boletim, diminuíram sua participação na População Economicamente Ativa (PEA) - a partir da qual o IBGE calcula as taxas de desemprego. O grupo na faixa dos 15 aos 18 anos teve queda de participação de 3,5 pontos percentuais na PEA, segundo o IBGE, na comparação entre janeiro e agosto deste ano com o mesmo período em 1998. Para o segmento entre 18 e 24 anos de idade, a redução foi de 2,6 pontos percentuais.


