PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 03 (AE) - A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul e entidades que representam as cooperativas agropecuárias do Estado (FecoAgro e Ocergs) lançam amanhã (04) uma nota oficial alertando os produtores gaúchos para que não cultivem sementes de soja transgênica. O documento, definido hoje em reunião, vai lembrar a ilegalidade do plantio e a possibilidade de interdição de todos os silos em que forem detectados produtos geneticamente modificados.
De acordo com o secretário José Hermeto Hoffmann também será encaminhado amanhã um documento solicitando providências ao Ministério da Agricultura na prevenção do cultivo da soja transgênica, proibido por liminar da Justiça Federal. "O ministério parece completamente omisso, esperando que toda a soja do Estado seja contaminada", comentou o secretário.
De acordo com Hoffmann, se as cooperativas receberem cargas de soja transgênica "o prejuízo será de todos". Ele explicou que a Secretaria já colheu cerca de 800 amostras de sementes entre produtores para análise. Os resultados serão conhecidos a partir da próxima semana. Caso sejam identificados produtos modificados, os proprietários terão todas as suas sementes interditadas.
O presidente da FecoAgro (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado), Rui Polidoro, disse que enquanto não houver autorização legal para o plantio os produtores devem evitar o uso de sementes transgênicas. De acordo com ele, as cooperativas estão preocupadas com os rumores de que muitas lavouras seriam semeadas com soja modificada e com o risco da mistura do produto aos grãos convencionais nos depósitos.
"Queremos evitar dor de cabeça", comentou o dirigente. De acordo com ele, a FecoAgro é favorável à continuidade das pesquisas, mas entende que os produtores devem cumprir a lei. Na opinião de Polidoro, mesmo que o plantio seja liberado, a introdução de plantas geneticamente modificadas nas lavouras vai depender da aceitação do mercado.


