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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 03 (AE) - Através de acordo com a prefeitura de Porto Alegre, um hipermercado da capital gaúcha poderá ser a primeira empresa no Brasil a empregar uma cota mínima de trabalhadores negros. A contratação de pelo menos 5% de empregados negros ou pardos está sendo negociada pelo governo do município com a rede de supermercados Zaffari, a segunda maior do Rio Grande do Sul. O grupo erguerá um novo hipermercado na zona Sul da capital gaúcha e, neste estabelecimento, deverá abrigar os 5%. Além dos negros, a força de trabalho com idade superior a 30 anos, de qualquer raça, terá que ser, no mínimo, de 10%, um modo de combater o desemprego, alto entre as pessoas mais velhas, geralmente chefes de família.
"A empresa não será onerada e estará sendo desenvolvida uma política pública importante", argumentou o supervisor de apoio a empreendimentos, Eduardo Raupp, da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SMIC). Para ele, a proposta, além de pioneira no País, seria vantajosa sob qualquer aspecto. A sugestão de um percentual obrigatório de trabalhadores negros foi encaminhada à prefeitura por um conselho de entidades da sociedade civil, o Comitê de Análise de Grandes Empreendimentos, integrado por conselheiros do Orçamento Participativo (OP), representantes de universidades públicas e privadas, entidades empresariais e defesa do consumidor, entre outras.
"O Comitê enviou a proposta de uma cota, sem especificá-la, e nós propusemos os 5%", explicou Raupp. Aparentemente baixo, o percentual torna-se bem mais expressivo se for considerado que a população negra e parda de Porto Alegre não é superior a 15%. As negociações, se concluídas de forma positiva, significarão um avanço em relação ao que foi definido na confirmação de outro empreendimento da mesma área, mas do grupo francês Carrefour, e que já foi inovador. Na semana passada, após dois anos de discussões, o Carrefour assumiu várias cláusulas sociais, econômicas e ambientais para se instalar na Avenida Assis Brasil, zona norte de Porto Alegre.
Carrefour - O hipermercado aceitou empregar, por exemplo, os mesmos 10% de trabalhadores com mais de 30 anos, além de construir creche para os filhos dos funcionários. Além disso, vai oferecer cursos de qualificação de mão-de-obra para os trabalhadores que vierem a perder seus empregos em decorrência da instalação do hipermercado, além da prioridade de aquisição de 40 lojas dentro da unidade para os comerciantes da região. Pelo lado ambiental, comprometeu-se a separar e entregar todo o lixo produzido no hipermercado nos galpões das cooperativas de recicladores. Praticamente as mesmas exigências serão apresentadas ao grupo Zaffari, com o acréscimo da cota étnica.
O Hipermercado Zaffari, com 3,5 mil metros quadrados de área construída e que empregará 350 funcionários, será construído na Avenida Otto Niemayer, uma das principais da zona sul da cidade. Raupp antecipou que as exigências, com exceção da cota para negros e pardos, já haviam sido informalmente apresentadas ao Zaffari. "Foram bem recebidas", avaliou. Hoje, até o final da tarde, o Zaffari ainda não se manifestara sobre a fixação da cota.
Outra iniciativa da prefeitura, da área comercial, favorecerá os indíos guarani e caingangue. As duas tribos ganharão uma loja no novo mercado, do bairro Bom Fim, para vender seu artesanato no mercado, a ser inaugurado em março de 2000.
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