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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 03 (AE) - A queda do dólar, de R$ 2 para R$ 1,94 a partir do fim de outubro, "não é perceptível" para o custo de vida no varejo, segundo a gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. Ela é uma das responsáveis pelo cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador inflacionário adotado para medir as metas de inflação que o Banco Central (BC) tem de alcançar neste e nos próximos três anos, pela nova política monetária da instituição.
"A influência do dólar, com este tipo de variação, é uma sutileza", avaliou a economista. "Conseguimos medir depois de janeiro, mas porque houve uma desvalorização forte", afirmou. O efeito da alta do valor da moeda estrangeira fica mais difícil de observar por causa da demanda reprimida, avaliou a gerente do IBGE.
Para Eulina, a tese de que existe uma inflação reprimida no varejo, que vai ser repassada para o consumo quando houver sinais de crescimento econômico, ainda precisa ser confirmada empiricamente. A comparação entre as variações, neste ano, do dólar com os índices de inflação no atacado, medida pelo Índice de Preços ao Atacado (IPA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e no varejo, pelo IPCA, confirmam a avaliação da economista do IBGE.
Influência - "No consumo, nem a alta do dólar apareceu ainda", afirmou o chefe do Centro de Estudo de Preços da FGV-RJ
Paulo Sidney Mello Cota, que calcula as taxas de inflação da entidade. Ele afirmou que o recuo do dólar tem impacto mais direto sobre os produtos agrícolas no atacado. Mas há outros produtos neste segmento, como automóveis, que também sofrem o efeito, de maneira mais diluída.
"Seria preciso uma pesquisa, para determinar em que nível a variação do dólar já foi repassada para os preços", avaliou. "A indústria não conseguiu fazer isso de uma só vez", citou. Melo Cota informou que 90% dos produtos usados no cálculo do IPA são cotados em dólar - índice que se reduz a 37% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da fundação.
Eulina não soube detalhar a influência da moeda norte-americana no IPCA e no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) - o indicador de custo de vida para famílias de baixa renda do IBGE. Mas dados fornecidos pela economista mostram que os produtos que sofreram maior reajuste em fevereiro e março, por causa da desvalorização do dólar, têm peso de 21 32% no cálculo das duas taxas de inflação.


