Rio, 03 (AE) - A redução da cotação do dólar nos últimos dias serviu para restringir a alta dos preços no atacado e evitar um repasse de preços no futuro, segundo economistas e analistas especializados no acompanhamento da inflação. A queda terá pouca influência no custo de vida para os consumidores. Mas
poderá reduzir índices que vinham aumentando por causa da moeda norte-americana, como o Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), que mede o custo de vida tanto no varejo quanto no atacado.
"O governo se preveniu contra um custo maior na desvalorização, caso a cotação continuasse em R$ 2 ou aumentasse", explicou a economista Rita Rodrigues, da consultoria Tendências. O economista José Julio Senna, da consultoria MCM, lembrou que as empresas já vinham reduzindo sua margem de lucro para compensar a elevação nos custos por causa da alta da moeda norte-americana. O próximo passo, mesmo com a recessão, poderia ser o fornecimento de uma quantidade de artigos em número menor do que a procura - que fatalmente levaria a reajustes de preços.
Fim do dilema - Com esta política, avaliou Senna, o governo tenta evitar um dilema causado pela desvalorização do real. No início do próximo ano, informou o economista, a opção a escolher seria o combate à inflação, com a alta dos juros para evitar aumentos no varejo e piora do desemprego, ou afrouxamento no controle do custo de vida, para permitir maior desenvolvimento econômico e reduzir os índices de trabalhadores desocupados.
Senna lembrou que o Banco Central ainda não esgotou o "arsenal" de medidas para baixar a cotação do dólar, embora tenha aumentado seu poder de atuação no mercado de câmbio. Entre os instrumentos possíveis, estão a nova recompra de títulos da dívida externa brasileira ou o lançamento de novos títulos para financiar a dívida, com prazo de rolagem em 2009. "Por último, o BC não voltou a usar a venda de papéis com variação cambial de curto prazo", acrescentou.
No ano que vem, o fluxo de entrada e saída de dólares do País e a melhora da balança comercial são outros fatores que podem provocar novas quedas no valor da moeda norte-americana, afirmou Senna. Ele lembrou que, no ano 2000, as amortizações da dívida externa vão ser US$ 20 bilhões menores do que neste ano. Além disso, a balança comercial pode atingir um superávit de US$ 1,5 bilhão - resultado US$ 3 bilhões melhor do que o esperado para este ano, segundo o economista.

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