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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por ROSA COSTA 
Brasília, 06 (AE) - O empresário Josino Guimarães, acusados pelo advogado Marco Aurélio Rodrigues Ferreira de intermediar a venda de sentenças de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, negou-se hoje (06) a responder às perguntas dos senadores da CPI do Judiciário. Ele chegou à comissão munido de habeas corpus preventivo concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, que lhe assegurava o direito de não ser detido pelos integrantes da CPI por causa de seu silêncio. A iniciativa do depoente surpreendeu os senadores. "Fica a gente, assim, sem entender porque existe habeas corpus para o óbvio", ironizou o presidente da comissão, senador Ramez Tebet (PMDB-MS).
Para o relator Paulo Souto (PFL-BA), o inusitado da situação mostrou que a denúncia é mais grave do que supunha. "Estamos aqui num caso mais grave do que o do juiz Nicolau", afirmou, referindo-se ao processo sobre o desvio dos R$ 169 milhões desviados das obras do fórum trabalhista de São Paulo. Ouvido pela CPI antes de Josino, o advogado Marco Aurélio confirmou as denúncias. Ele entregou ao senador cópia de dois cheques no valor de R$ 5 mil cada um, entregues ao empresário no início da negociação para comprar de sentença.
Segundo ele, Josino Guimarães se dizia assessor do desembargador Athaíde Monteiro e prometia ganho de causa no processo em que seu sogro Sebastião Queiroz procurava reaver os gastos feitos em benfeitoria numa fazenda que havia perdido para uma empresa. A sentença seria comprada por R$ 70 mil. O início do acerto teria ocorrido quando o empresário ligou para o desembargador Athaíde.
A CPI rejeitou, hoje, o requerimento em que o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) fazia uma série de indagações a seu colega Luiz Estevão (PMDB-DF) sobre a ligação de suas empresas com o empresário Fábio Monteiro de Barros, acusado do desvio de dinheiro das obras do TRT de São Paulo. Presente, Luiz Estevão disse que o assunto estava sob investigação da receita e que não motivo para o requerimento. Com isso, falhou a tentativa de Dutra de mostrar que Estevão teria endossado informações falsas fornecidas por Monteiro de Barros.


