Brasília, 06 (AE) - Aliados políticos do presidente Fernando Henrique Cardoso reagiram hoje com irritação às declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, advertindo que o governo tomará medidas compensatórias para resolver a perda de receita com a derrubada da contribuição dos inativos, independentemente do apoio do Congresso. "Não creio que ele tenha dito isso", afirmou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Seria de tal inabilidade, que não estaria à altura de um ministro da Fazenda como o Pedro Malan", acrescentou.
No fim da tarde de ontem (05), o ministro disse que o governo anunciaria ainda esta semana um conjunto de medidas para compensar os R$ 2,3 bilhões que serão perdidos com a suspensão da cobrança da contribuição previdenciária dos inativos, iniciativa rechaçada pelos líderes e presidentes dos partidos aliados ao governo em reunião promovida por Fernando Henrique na segunda-feira (04). À noite, a posição da equipe econômica foi vencida pelos políticos, que convenceram o presidente de que não há clima para aprovar no Congresso medidas que elevem impostos nem para a apresentação de emenda constitucional estabelecendo a cobrança dos inativos.
Hoje, ACM admitiu que o ideal seria encontrar um consenso em torno das medidas, mas, como que isso é impossível, o governo terá de confiar na base de sustentação política. "Está na hora de o Planalto mostrar força, mostrar que tem uma base aliada que o apóia", frisou ACM, lembrando que, se não conseguir o apoio que precisa, o governo deveria reformular a aliança. "Quem não corre risco não chega nos bons lugares", provocou.
Apesar dos ataques ao ministro da Fazenda, ACM não questionou a permanência no governo, ressaltando que Malan tem o apoio do presidente, das lideranças e do Congresso. "Agora, entre ser prestigiado e mandar as medidas de qualquer maneira, não há o que discutir; ninguém pode tudo", comentou.
Para o senador, o governo deve manter as linhas do ajuste fiscal, mesmo que isso exija cortes em áreas essenciais, como saúde e educação. "Se tiver de cortar, que corte", defendeu. "O problema é o País sobreviver com seriedade, com dignidade, cumprindo seus compromissos internos e externos." Segundo o presidente do Senado, essa atitude de seriedade pode até resultar na solução de "alguns problemas" relacionados à condução da dívida brasileira.
O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), reagiu em tom de provocação e avisou que espera participar da discussão das propostas do governo para cobrir o rombo nas contas da Previdência. "Se as medidas chegarem ao Congresso sem conversa prévia, nós não teremos compromisso com elas", advertiu. "O Malan agiu como se estivesse numa posição de quem tem o caminho, a verdade e a vida", comentou Geddel.

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