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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Cláudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 06 (AE) - Um grupo de 30 agentes da Polícia Federal (PF) deve chegar amanhã (07) a Teresina para proteger autoridades federais responsáveis pela elaboração e divulgação de um dossiê denunciando o crime organizado no Piauí. Os agentes federais vão ampliar as investigações das denúncias contra oficiais da Polícia Militar, delegados, juízes, promotores públicos, empresários e prefeitos. O documento foi entregue ontem (05) ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro.
Hoje de manhã, o governador Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, determinou ao comandante da PM, coronel Valdílio Falcão, a prisão de todos os policiais militares envolvidos. Mas Falcão e o irmão dele, coronel Odiwal Falcão, chefe do Gabinete Militar, são citados no dossiê por enriquecimento ilícito e uso de notas fiscais frias para justificar despesas não-realizadas.
O dossiê entregue ao ministro da Justiça foi elaborado a partir de escutas telefônicas pedidas pelo procurador da República Tranvanvan Feitosa e autorizadas pelo juiz federal Rui Costa Gonçalves. Nas conversas gravadas, o coronel da reserva Viriato Correia Lima é apontado como líder do crime organizado no Piauí. Além de comandar a quadrilha, ele ainda receberia gratificações nos contracheques de soldados postos a serviço dele com a autorização de Valdílio Falcão.
Outros envolvidos são os delegados José Wilson Torres e Pedro Arcanjo Silva Filho, acusados de extorsão e corrupção passiva; os juízes Orlando Pinheiro e Francisco das Chagas Moreira e Silva, que teria vendido liminares e ordens de saque de seguro de vida ao coronel Viriato Correia Lima; o promotor João Benigno Filho, e o empresário José Carlos Bezerra de Sá, que é laranja de várias operações da quadrilha e amigo do filho de Mão Santa, Francisco Moraes Souza Júnior, o "Mãosantinha".
As conversas gravadas revelam a prática de 16 tipos de crime, desde assassinatos até a falsificação de notas fiscais frias para lavagem de dinheiro público, compra de armas contrabandeadas, extorsão e lavagem de dinheiro público.
O envolvimento de 78 prefeitos que compravam notas fiscais do bando é apontado como indício de desvio de recursos de programas federais como o Fundo de Valorização do Ensino Fundamental (Fundef) e do Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema de venda de notas fiscais estaria por trás da morte de oito prefeitos nos últimos dez anos no Estado.


