Maceió, 06 (AE) - O filhos do empresário Paulo César Farias, o PC, Paulo Augusto César Pereira de Farias, de 17 anos, e Ingrid Pereira de Farias, de 19, publicaram hoje nas primeiras pagina dos jornais "Tribuna de Alagoas" (da família Farias) e "Gazeta de Alagoas" (da família do ex-presidente Fernando Collor de Mello) uma carta de apoio ao tio, o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL). Na carta, datada de sexta-feira (01), os filhos de PC pedem que Augusto Farias continue sendo tutor deles.
Augusto Farias disse hoje, por telefone, antes de depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, que ficou surpreso com a publicação da carta.
Segundo ele, a carta foi iniciativa dos sobrinhos e serve para esclarecer "inverdades publicadas pela imprensa sensacionalista." O deputado refere-se a uma entrevista publicada na revista "IstoÉ" com a cunhada dele Élia Pereira, que o acusou de envolvimento na morte de PC Farias e de ser um péssimo tutor para os sobrinhos.
De acordo com Élia, que é irmã da mulher de PC Farias, Elma Faria (que já morreu), Augusto Farias estaria levando Paulinho para a mesa de jogos de baralhos, expondo o sobrinho a um vício perigoso. Além disso, Élia disse que Augusto Farias estava atrasando a mesada, a mensalidade do colégio e deixando faltar mantimentos básicos na mansão deixada por PC para os filhos, no bairro de Mangabeiras, em Maceió.
O deputado do PPB do Acre reagiu às acusações da cunhada
taxando-a de "viciada em drogas" e chamando-a de "desqualificada." A carta do sobrinho, segundo o deputado, "vem pôr um fim nesse episódio desagradável". Nela, Paulinho e Ingrid falam da tristeza que viveram ao perder a mãe e o pai.
Segundo eles, "apesar das mais variadas calúnias produzidas por parte da imprensa", o tio continua merecedor "do respeito, confiança e amizade" deles.
"Atualmente, como é de conhecimento de todos, surgiram a mais gritantes versões sobre a morte de nosso pai, com visíveis tendências para incriminar você, que, além de tio, é nosso tutor", diz a carta de Paulinho e Ingrid. "Hoje, você representa o nosso pai, inclusive com a nossa concordância diante do juiz desde julho de 1996", completam os filhos de PC, na carta de 24 linhas assinada por eles.
O Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas manteve ontem (05) à noite a liminar revogando o decreto de prisão temporária dos policiais militares Reinaldo Correia, Geraldo da Silva, Adeilton dos Santos e Josemar Faustino, que trabalhavam como seguranças de PC Farias no dia do crime. A prisão temporária dos quatro seguranças foi decretada pelo juiz Alberto Correia Lima, a pedido dos delegados Antônio Carlos Lessa e Alciddes Andrade, que investigam as mortes de PC Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino.
A decisão de manter os militares em liberdade foi aprovada por unanimidade pelos desembargadores do Pleno do TJ. Os desembargadores consideraram que a prisão era desnecessária, uma vez que os PMs não foram denunciados pela Justiça. O representante do Ministério Público (MP), promotor Carlos Alberto Torres, disse que a decretação da prisão dos ex-seguranças de PC Farias, ocorrida há quase quatro meses, aconteceu apenas para dar uma satisfação à mídia.
Para o advogado da família Farias, Fragoso Cavalcanti, que defende os quatro PMs, a decisão do TJ corrige um erro praticado pelo juiz que acompanha o caso PC Farias. Segundo ele, não foi anexado no inquérito o pedido de prisão temporária nem preventiva, o que anularia qualquer decisão. Cavalcanti criticou ainda o fato de, após três anos da morte de PC Farias, o juiz Alberto Jorge Correia de Lima ter decretado a prisão dos seguranças, mesmo sem existir denúncia contra os acusados.

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