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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 06 (AE) - O juiz da 2.ª Vara de Falências e Concordatas de Cuiabá, José Geraldo Palmeiras, vai depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, garantiu hoje o vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson (PPS-PE). Num depoimento insípido aos senadores ontem (05), o juiz alagoano Daniel Souza Accioly negou que tenha participado da transferência da traficante internacional de drogas condenada a 21 anos de prisão Maria Luíza Almirão dos Santos, a "Branca"
do presídio de segurança máxima da Papuda, em Brasília, para uma casa ao lado da Cadeia Pública de Atalaia (AL).
"Seria bom esse juiz explicar toda essa história para a gente", disse o senador. Palmeiras deve interpor mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para não depor e evitar a quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal.
Accioly disse à CPI que Palmeiras é responsável pela tentativa de transferência da traficante. Ele disse que a sua participação se restringiu ao encaminhamento de ofício pedindo a remoção da traficante. O juiz também negou ter recebido dinheiro para fazer a transferência de "Branca" e considerou como mentirosa a acusação que consta do relatório assinado pelo presidente do TJ de Alagoas, desembargador Orlando Manso, de que recebeu R$ 20 mil dois dias após ter assinado o ofício de remoção.
Embora negue, o relatório do desembargador datado de 12 de setembro de 1997, ao qual a reportagem teve acesso, é claro ao confirmar o envolvimento de Accioly em conluio com Palmeiras, mentor intelectual da trama. Palmeiras é acusado de armar tudo, pois mentiu ao afirmar que "Branca" era uma homicida passional e envolveu Accioly, o também juiz Sérgio Persiani, o desembargador José Marçal Cavalcante, dois delegados civis e um escrivão de polícia.
A transferência só não se concretizou plenamente porque a trama foi descoberta pela Polícia Militar. Após descobrir o esquema, a PM levou a traficante para o Presídio Santa Luzia, em Alagoas.
Accioly, segundo Manso, foi padrinho de casamento da filha de Palmeiras e sabia de toda a trama. Tanto assim que se empenhou quando a transferência foi comprometida, em princípio, indo com o filho do desembargador José Marçal para tentar uma segunda remoção de "Branca", alegando problemas de saúde, do Oresídio Santa Luzia.
Nesta segunda tentativa, consta no relatório, ele foi acompanhado do advogado José Ribeiro Viana, que responde a processo por crime junto com Palmeiras, em Cuiabá, por facilitação de fuga de traficantes e favorecimento à prostituição, entre outros.
Para confirmar a necessidade de transferência, ainda de acordo com o relatório, Palmeiras e Accioly forjaram uma conta de água falsa, usada para comprovar a residência da irmã de "Branca", Suely Almirão, na Fazenda Galinha Gorda.
Ocorre que esta fazenda era do pai do juiz José Geraldo Palmeiras, Benedito Palmeiras. O Departamento de águas de Alagoas confirmou que a conta é falsa. A companhia telefônica de alagoas confirmou inúmeras ligações entre Palmeiras, Viana, Accioly, Marçal e os outros envolvidos no escândalo. Procurado mais uma vez pela reportagem, o juiz não aceitou conversar sobre o assunto.


