Brasília, 06 (AE) - O presidente de honra de PT, Luiz Inácio Lula da Silva, fez hoje, no Núcleo Bandeirante, cidade-satélite do Distrito Federal, um discurso a mais de 1.100 integrantes da Marcha Popular pelo Brasil, que, amanhã (07), estarão chegando ao Plano Piloto para uma manifestação contra a política econômica do governo.
Ele defendeu a realização de outras manifestações populares como essa. "Quem imaginaria que há seis meses este governo estaria apodrecido e comprometido como está?", disse Lula, para quem o processo de conscientização da sociedade tem de continuar. "Não podemos dar tréguas para o govern; apodrecido como está, quem sabe se a gente balançar um pouquinho o governo não cai de maduro", afirmou.
Ele citou também recente pesquisa que registra o crescimento da popularidade do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes para disputar a Presidência da República.
Lula, no entanto, ressaltou que a pesquisa não fala em sucessão presidencial. Ele lembrou que, na última feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), Ciro Gomes estava com 19% da preferência e ele, com 31%.
O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), que também discursou no Núcleo Bandeirante para os integrantes da Marcha Popular pelo Brasil, disse que, para ser resolvida a situação do País, não basta tirar quem está no governo.
"Não se pode pensar em mudar alguma coisa com o Marco Maciel (vice-presidente), no lugar de Fernando Henrique, nem Ciro Gomes e nem Antônio Carlos Magalhães (presidente do Congresso, do PFL da Bahia), que começou a defender somente agora a pobreza", afirmou. Para ele, tem de haver um processo de mudança para que se chegue a um governo realmente popular. O presidente nacional do PT anunciou que, em 10 de novembro, haverá o Dia Nacional de Luta, com paralisações em todo o País.
Lula disse que achou esquisito o fato de o presidente Fernando Henrique Cardoso estar falando em pacto para a estruturação da Previdência.
Ele lembrou que o presidente se tornou célebre ao defender, ainda quando senador, o Packo de Moncloa. Mas, desde que se tornou presidente, segundo Lula, ele nunca chamou os trabalhadores para conversar e, quando chama, é para dizer não.
"Agora que ele caiu em desgraça com a opinião pública, vem falar em pacto outra vez", disse Lula. "Mas pacto em torno de quê, das idéias dele?", questionou.
Lula acredita que esse pacto só terá êxito se o presidente zerar o projeto e discutir uma solução em conjunto com a sociedade. Perguntado se sentaria com o presidente para discutir o pacto, Lula disse que não, pois não acredita mais em Fernando Henrique.

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