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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por ROSA COSTA 
Brasília, 06 (AE) - Apesar de se recusar a acreditar que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tenha minimizado o apoio dos aliados no encaminhamento das medidas emergenciais para recompor o ajuste fiscal, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje concordar com a necessidade de o governo manter as linhas do ajuste fiscal, mesmo tendo de cortar recursos em áreas essenciais, como saúde e educação. "Se tiver de cortar, corta", defendeu. "O problema é o País sobreviver com seriedade, com dignidade, cumprindo seus compromissos internos e externos." Segundo ele, essa postura pode até resultar na solução de "alguns problemas" relacionados à condução da dívida brasileira.
Para ACM, a posição de que o governo não vai esperar o apoio do Congresso no envio dessas medidas "seria de tal inabilidade, que não estaria da altura de um ministro da Fazenda como Pedro Malan". "Eu não creio que ele tenha dito isso."
O senador reconheceu que o ideal seria o consenso com relação a essas medidas, mas, já que isso é impossível, o governo terá de confiar na base política. Ou então, se não tiver condições de contar com a fidelidade dos aliados, "reformular a posição da base". "Está na hora de o governo mostrar força, mostrar que tem uma base aliado que o apóia", exortou. Para ACM
o risco de sofrer uma decepção não deve ser visto como um empecilho capaz de intimidar esse tipo de procedimentos. "Quem não corre risco não chega nos bons lugares", desafiou.
Ele não quis endossar a endossar a posição de que Malan estaria perdendo o prestígio no governo, por entender que o ministro tem o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso, das lideranças e do Congresso. "Agora, entre ser prestigiado e mandar (as medidas) de qualquer maneira, não pode ser em lugar nenhum", ressalvou. "Ninguém pode tudo, já dizia o papa João 23." Sobre o aumento de recursos reivindicados pelos participantes da Marcha Nacional em Defesa da Educação Pública, ACM reconheceu que educação e saúde são áreas que devem receber um tratamento privilegiado, "mas não são intocáveis". "No dia em que o governo dizer que uma área é intocável, evidentemente, não vai funcionar", justificou.
O presidente do Senado disse que os líderes dos partidos estão sensíveis à situação que o País atravessa. "Consequentemente, têm de encontrar o caminho certo para que possamos sair de uma crise que não foi criada pelo governo, mas, sim, por uma decisão do Judiciário", lembrou. Ele defendeu que o ideal seria encontrar esse rumo com a participação dos parlamentares.


