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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 05 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara investiga a ligação do esquema do empresário Paulo César Farias, o PC, que foi encontrado morto em junho de 1996, com o narcotráfico e apura se o grupo do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello continua atuando. Os integrantes da CPI receberam a cópia de um depoimento de um usineiro de Alagoas dado à Polícia Federal (PF) há dois anos sobre os negócios que PC teria com o tráfico de drogas. A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), uma das integrantes da comissão, disse hoje que os parlamentares vão investir nas investigações sobre o esquema, caso forem constatados indícios de que os negócios existem.
O relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), admitiu hoje a possibilidade de ser pedida a acareação entre o deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC Farias, e o caminhoneiro Jorge Meres, que acusou o parlamentar, na semana passada, de envolvimento com narcotráfico.
Segundo Meres, Augusto Farias faz parte de uma quadrilha integrada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), que teve o mandato cassado pela Câmara e acusado de comandar um esquema de roubo de cargas, tráfico de drogas e de armas em vários Estados do País, entre os quais Maranhão, Alagoas e Acre. A acareação entre o caminhoneiro e o advogado William Marques, que também integraria o grupo, não foi realizada hoje. A PF não havia conseguido localizar o advogado.
Os integrantes da comissão deram entrada hoje na presidência da Câmara com o pedido de cassação do mandato de José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o "Zé Alex", que assumiu na vaga de Pascoal, por quebra de decoro parlamentar. "Zé Alex" é acusado pela CPI de mentir ao dar informações sobre a declaração de Imposto de Renda (IR). De forma a se defender da ofensiva da CPI, o deputado voltou a acusar membros da comissão, entre os quais Torgan, de divulgar dados relativos à declaração de renda dele à Receita Federal sem que a comissão tenha oficialmente quebrado os sigilos fiscal, bancário e telefônico.
"Zé Alex" disse que protocolou um documento na presidência da Câmara dizendo que parlamentares da CPI quebraram o decoro por ter divulgado dados sob sigilo e encaminhado cartas à Receita Federal, Banco Central (BC) e empresas de telefonia, antes de haver a oficialização da medida. Hoje, Torgan disse que o deputado, suspeito de integrar grupos de extermínio e de narcotráfico comandado por Pascoal, se baseou num erro do serviço taquigráfico da Câmara, que deixou uma lacuna sobre a aprovação da quebra de sigilo.
Em razão disso, a comissão ratificou hoje a decisão, aprovando a ata do dia 28, quando foi votada a medida. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), confirmou que quinta-feira (07), em reunião da executiva, será designado o relator do pedido de expulsão de "Zé Alex" do partido.


