PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 05 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado requisitou hoje ao Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso a relação de todos os funcionários do órgão. Os senadores querem saber quem são os parentes dos 20 desembargadores e como ingressaram no TJ.
Segundo o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), na próxima semana, a CPI começa a fazer o cruzamento das informações para checar as denúncias de prática de nepotismo feitas pelo juiz assassinado Leopoldino Marques do Amaral. "Queremos comprovar se há nepotismo de fato para tomarmos as providências cabíveis." Amanhã (06), faz um mês que o corpo do juiz foi localizado em Concepción, no Paraguai, parcialmente carbonizado com dois tiros na cabeça. O superintendente da Polícia Federal (PF) em Mato Grosso, Claúdio Luiz da Rosa, disse que as investigações estão adiantadas. "Estamos no caminho certo das investigações", limitou-se a dizer. "A PF vai apresentar em breve à sociedade não só os executores, mas também os mandantes", garantiu.
A PF e o Instituto Médico-Legal (IML) de Mato Grosso querem evitar polêmica sobre a identificação do cadáver enterrado em setembro em Poconé (100 quilômetros de Cuiabá) como sendo de Amaral.
O IML apresentou hoje um laudo em que foram detectados 18 pontos de coincidência nas impressões digitais do juiz assassinado há um mês. Os familiares de Amaral estão sendo pressionados por membros do Judiciário para fazer a exumação do corpo para que sejam tiradas todas as dúvidas.
O coordenador de perícia do IML do Estado, Alinor Costa, que fez os exames de necropsia, dactiloscópico (digitais) e odontolegal (arcada dentária) no juiz, descarta essa possibilidade.
Segundo o legista, o corpo encontrado é mesmo do juiz, pois são necessários apenas oito pontos de coincidência para a confirmação positiva de um exame dactiloscópico. "Se encontrássemos 12 pontos, seria o máximo para a confirmação, mas decidimos seguir adiante para uma análise mais profunda", explicou.
Apesar de ter pedido amostras de sangue da primeira mulher, dos filhos, da mãe e do irmão de Amaral para realização de dois exames de DNA, o IML terá apenas um laudo do laboratório do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) de Piracicaba, no interior de São Paulo. "Solicitamos dois exames apenas por segurança, mas vamos ter apenas um laudo, que eu vou buscar em mãos, pessoalmente, e com segurança", disse o legista.
Ele informou que o resultado final do exame vai ser divulgado apenas num prazo de 40 a 90 dias, a contar de 19 de setembro, quando foram enviadas as primeiras amostras de sangue. "Qualquer resultado com um tempo menor, neste caso específico, pode não ter muita credibilidade."


