Brasília, 05 (AE) - O líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), fez há pouco um relato sobre a reunião de ontem (04) à noite entre o presidente Fernando Henrique Cardoso, os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, e os líderes dos partidos da base de apoio do governo no Congresso. Segundo Napoleão, no início da reunião, o presidente defendeu a necessidade de enviar ao Congresso uma proposta de emenda constitucional (PEC) propondo o aumento da contribuição dos ativos e instituindo a cobrança da contribuição dos inativos. Em seguida, Fernando Henrique franqueou a palavra. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), foi o primeiro a se manifestar, e opinou que o envio de uma PEC era inoportuno. Lembrou que o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, sugeriu, nas duas vezes em que foi à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado, uma série de medidas para elevar a arrecadação. Entre elas, está a cobrança de impostos sobre a remessa de juros e lucros para o exterior. Depois de Barbalho, foi a vez do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Ele sugeriu ao governo que retire R$ 700 milhões que estão no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e use ainda R$ 1,2 bilhão que está nos fundos previdenciários de militares para cobrir o rombo provocado pela decisão da semana passada do STF sobre as contribuições previdenciárias dos servidores públicos. Finalmente, o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), lembrou que há uma série de iniciativas de parlamentares que não estão no ajuste fiscal mas poderiam ser nele incluídas. Entre elas, Madeira citou uma PEC que limita os gastos com câmaras municipais e outra que muda o tratamento de precatórios de Estados e municípios. Depois de Madeira, Tavares e Malan falaram em cortes no Orçamento. Novamente, ainda segundo o relato de Napoleão, houve resistência de Barbalho, segundo o qual isso geraria um clima de frustração em relação ao Plano Plurianual de Investimentos (PPA). Barbalho disse considerar inconvenientes quaisquer cortes no Orçamento. O presidente da República encerrou a reunião anunciando que procuraria ouvir também os governadores sobre a questão, uma vez que a decisão do STF afeta 16 dos 27 governos estaduais. Fernando Henrique disse entender que havia um acordo dos aliados prevendo a agilização das medidas de ajuste e que, se algo desse errado, o governo tomaria novas iniciativas .

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