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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 05 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, Enivaldo dos Anjos (PDT), anunciou hoje que não vai convocar para depor o ministro da Defesa, Élcio álvares, acusado em reportagem da revista "IstoÉ" de manter supostas ligações com o crime organizado capixaba. Segundo o parlamentar, não há nenhum indício de envolvimento de álvares com atividades criminosas, o que foi reconhecido pelo chefe da Procuradoria da República no Estado, procurador Ronaldo Albo. Por isso, alegou, não há motivos para chamar o pefelista a prestar esclarecimentos neste momento.
"Não vou intimar o ministro a depor", disse o deputado. "Agora, se algum membro da comissão (ao todo, são nove deputados) apresentar essa proposta, vou colocá-la em votação." O parlamentar não descartou a possibilidade de convocar o jornalista Andrei Meirelles, repórter da "IstoÉ", autor da reportagem, para que esclareça a origem das acusações contra o ministro. A convocação, afirmou, dependerá do andamento do trabalho da comissão. Ontem (04), o delegado Francisco Badenes Júnior, autor de um relatório sobre o crime organizado que citava os nomes de álvares, do presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz (PFL), e de outros integrantes da elite política do Espírito Santo, afirmou à CPI que o trabalho continuava válido, mas se recusou a comentá-lo.
Anjos também descartou hoje a convocação de Gratz, que admitira ontem. O motivo é o mesmo: falta de indícios sólidos de envolvimento do presidente da Assembléia com o crime. "Não quero levar a CPI para a aceitação do denuncismo", disse o pedetista. Ainda ontem, o deputado Gilson Gomes (PPS) renunciou à relatoria da CPI, depois que Badenes Júnior arguiu a suspeição dele, acusando-o de supostas ligações com a Scuderia Detetive LeCoq, associação de policiais acusada de ligações com o crime."O deputado disse que saiu da LeCoq há mais de dez anos, mas peferiu se afastar para evitar problemas." O pedetista lembrou que o objetivo da CPI não é investigar o crime organizado, mas apurar a suposta omissão de autoridades no crescimento da violência no Espírito Santo. "Ainda estamos no nono depoimento", afirmou.


