PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 30 (AE) - O tiro na cabeça que matou o sargento da Polícia Militar Sidney Rodrigues, acusado do assassinato do ex-secretário da PM do RJ, coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, foi disparado de baixo para cima, à distância. O promotor Júlio César Lima dos Santos, do 4º Tribunal do Júri, recebeu hoje o laudo do Instituto Médico Legal que derruba a versão oficial de que Rodrigues teria matado o coronel e se suicidado.
Documento do Instituto de Criminalísitica Carlos Éboli (ICCE), divulgado ontem (29), confirmava que o projéteis que atingiram Rodrigues e Cerqueira partiram de armas diferentes. Segundo o laudo do IML, não havia sinais de pólvora perto da orelha do sargento. "Se fosse suicídio, ele teria encostado o cano da arma na cabeça, deixando resíduos", disse o promotor. Amanhã (01) ele começa a ouvir pessoas envolvidas com o crime. Os policiais militares que chegaram ao edifício Magnus na tarde do último dia 14 serão os primeiros a depor.
"Alguns pontos precisam ser esclarecidos", disse o promotor. Ele quer saber a quem pertencia o revólver calibre 38 encontrado no saguão do edifício. Além disso, testemunhas que estavam no prédio no momento do tiro disseram que Cerqueira morreu com uma arma nas mãos.
Cerqueira, ex-secretário no governo Leonel Brizola, foi executado à queima-roupa, quando chegava para trabalhar no Insitituto Carioca de Criminalística, organização não-governamental que estuda a violência no Estado, presidida pelo ex-governador Nilo Batista. Pela versão oficial, defendida pelo secretário de Segurança, coronel Josias Quintal, Rodrigues tinha problemas mentais e matou Cerqueira por vingança, por ter sido preterido em uma promoção.
Havia ainda a hipótese de crime político, sustentada por parte da cúpula do PDT. Cerqueira vinha sendo sondado pelo governador Anthony Garotinho (PDT) para retornar à vida pública. Ele ocuparia um cargo de confiança para comandar uma "limpeza ética" na polícia.


