Sertãozinho, SP, 30 (AE) - A Usina São Francisco, de Sertãozinho (SP), encaminhou ofícios para as secretarias de Justiça, da Agricultura e da Segurança Pública do Estado e ao Ministério do Meio Ambiente pedindo providências e policiamento das áreas próximas às suas fazendas para evitar novos focos de incêndio. O último, iniciado às 13h30 de ontem (29) e debelado às 7 horas de hoje, provocou a queima de cerca de mil hectares da usina, afetando cerca de 300 hectares de mata nativa, 500 de cana-de-açúcar e 200 de socas (tocos de cana). Este foi o 11º incêndio registrado este ano em propriedades da empresa.
Embora não tenha sido detectado como o fogo começou, o diretor agrícola da usina, Leontino Balbo, acredita que ele tenha sido criminoso. Muitos animais (como macacos, lobos-guará e capivaras) morreram e cerca de 45 mil árvores nativas foram destruídas pelo fogo. O prejuízo material, segundo Balbo, foi de R$ 2 milhões, mas os danos ambientais são incalculáveis - foi o maior incêndio em 52 anos do Grupo Balbo, formado ainda pela Usina Santo Antônio.
A usina, que colhe a cana-de-açucar apenas com a mecanização, sem queimar a safra há quatro anos, vai investir R$ 300 mil na aquisição de mudas para a recuperação da área de preservação ambiental. A recomposição da mata, no entanto, deverá ocorrer dentro de dez a 12 anos. A Usina São Francisco produz açúcar orgânico e, para isso, não usa herbicidas e adubos químicos no plantio.
O advogado do Grupo Balbo, Romeu Bonini, não descartou a possibilidade de acionar o Estado por perdas e danos. A empresa solicitou policiamento preventivo no início de setembro à 3ª Vara Cível de Sertãozinho, mas foi atendida apenas parcialmente. A Justiça só concedeu liminar para proteger as áreas da usina contra possíveis invasões de sem-terra que ocuparam a Estação Experimental do Estado, que fica ao lado de uma das fazendas da empresa. O pedido contra incêndios foi negado.

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