Andradina, SP, 30 (AE) - Há uma omissão generalizada no cumprimento das leis que protegem a fauna do rio Tietê. Essa a conclusão de técnicos e políticos que participaram hoje, em Araçatuba, a 550 quilômetros de São Paulo, de um debate sobre a pesca predatória que põe em risco o futuro do turismo na Alta Noroeste.
No encontro, promovido pela Associação dos Amigos do Lago de Três Irmãos, ficou claro não haver um programa de ação integrado dos orgãos oficiais ligados ao meio ambiente com a finalidade de preservar a fauna do Tietê. Enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emite carteiras de pesca na categoria profissional sem qualquer critério, autorizando o uso de redes até para pessoas que nunca viveram do comércio de peixe, a Polícia Florestal não dispõe de infra-estrutura para impedir os abusos da pesca predatória. Há pescadores que fecham o rio com redes.
O representante da delegacia regional do Ibama, Núdimir Kornyezuk, disse que pela portaria do instituto bastam duas fotos e o pagamento de uma taxa para que qualquer cidadão se transforme em pescador profissional por pelo menos cinco anos. Enquanto for "profissional" ele pode usar redes de até 100 metros de comprimento. Segundo Korneyezuk, no Estado de São Paulo devem existir cerca de 60 mil pescadores profissionais, dos quais aproximadamente 90% deram falso testemunho para conseguir o documento ou seja, assinaram declaração dizendo viver exclusivamente da atividade pesqueira.
O prefeito de Mirandópolis, Jorge Faria Maluly (PFL), também presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê
disse que "falta apenas vontade política e trabalho para se preservar a fauna do Tietê". Segundo Maluly, muito mais do que mudanças na lei, é preciso investir na educação ambiental e fazer a própria comunidade exigir respeito à natureza.
O diretor de Meio Ambiente da Companhia Energética de São Paulo, Daniel Salate, disse que a legislação vigente poderia estar colaborando se todos os orgãos envolvidos trabalhassem direito. Salate criticou o Ibama e afirmou que a expedição indiscriminada de carteiras de pesca no Estado de São Paulo é um problema solucionável com uma consulta à Receita Federal para ver se o candidato não está inscrito em outra atividade de renda. O prefeito Maluly Neto considerou cinco anos um prazo muito longo para a renovação da carteira de pesca.

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